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Natural de Santa Cruz do Sul, o gaúcho Felipe Helfer se divide entre os sets de TV, cinema (como espectador também), montagem de grandes eventos e, é claro, no teatro. Admite, porém, que todo seu conhecimento e experiência de mais de 20 anos como cenógrafo auxilia para que atue em outras áreas. Mestre em arquitetura moderna, Helfer realiza pesquisas em outros campos, como, por exemplo: a arquitetura efêmera, disciplina ministrada por ele em nível de pós-graduação. Entre os vários prêmios de seu currículo, constam os espetáculos: "A Lenda do Rei Arthur" e "Por um Punhado de Jujubas". Na entrevista abaixo o cenógrafo dá dicas importantes para quem deseja alcançar o sucesso nessa profissão.

 

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Jornal de Teatro: Para ser cenógrafo é obrigatório estudar arquitetura para ter uma carreira de sucesso?
Felipe Helfer: Não. Na arquitetura, o profissional se comunica através de plantas baixas e outros recursos. Mas a história prova que alguns grandes cenógrafos nada mais eram do que artistas plásticos, pessoas sensíveis e atentas ao fenômeno teatral.


Jornal de Teatro: Em que difere pensar um espaço arquitetônico de um cenário para teatro e dança?
Felipe Helfer: Em meu ponto de vista não há diferença. A verdade é que se está constituindo espaço para uma função, que vai seguir um roteiro ou a habitação de uma família. O papel do cenógrafo é o de criar ou tridimensionalizar uma área para acontecer algum fato. Isso é pura arquitetura. Do ponto de vista filosófico, não há diferença. Evidentemente que é muito melhor fazer cenografia, porque é onde eu me sinto brincando de Deus. Basta apenas ter talento para conseguir organizar os signos. Já, na arquitetura civil, o profissional fica a mercê de um contexto muito menos controlável.


Jornal de Teatro: De que maneira se dá o processo de criação de cenários? você segue uma metodologia?
Felipe Helfer: A cada história a criação me dispara de uma maneira e isso é o mais fascinante, porque ou eu posso estar trabalhando em um universo dos anos 70 de Nova York ou na Europa Setentrional do início do século, criando as mais diversas conexões entre planos de conhecimento. Minha condição profissional faz com que eu agregue esses conhecimentos. Um vestido tem um significado, uma porta tem um significado e assim por diante. Acho sempre que, no caso do teatro e do cinema, o cenógrafo fica a mercê da ideia de um diretor. Eu tento muito conhecer a vontade daquele que me rege, por estar a serviço dele e, consequentemente, do texto. Articular repertórios é fundamental no jogo da construção da ideia, mas não só isso. É conhecer bem a história da arte, da luz, de música e materiais, ou seja, tudo que se tem dentro da mochila.


Jornal de Teatro: Que materiais você costuma usar e, destes, qual te encanta mais?
Felipe Helfer: Acho que os cenários virtuais estão ficando muito interessantes, criando possibilidades de enganar muito boas. Evidentemente que se olhando ainda para os telões renascentistas e das obras clássicas, onde o artista plástico pintava uma floresta, quando se abria uma cortina era possível se sentir na própria floresta. Eu tenho um desafio comigo que é o de sempre tentar fazer mais com menos. Se eu conseguir encantar com um fio de lã pendurado no meio do palco apenas, acho que consegui chegar onde gostaria, na essencialidade.


Jornal de Teatro:
Qual seria o cenário ideal?
Felipe Helfer: Acho que o bom cenário é aquele onde as pessoas viram uma obra do conjunto em que, de alguma maneira, foi possível conseguir um equilíbrio. Mas no mundo inteiro hoje a cenografia também é um megaespetáculo, interagindo, muitas vezes, com os atores. Mas sem dúvida nenhuma, fazer com que algo extremamente simples se transforme em algo incrível é o ideal.

Jornal de Teatro: Como é a relação dos cenógrafos com os produtores?
Felipe Helfer: O equilíbrio das relações deve ser estabelecido e o cenógrafo tem um papel fundamental. Acho que para isso deve-se ter um pouco de técnica sim, a fim de entender os limites da produção e também seus próprios limites. A produção também tem a sua demanda e a suas limitações. O cenógrafo tem de ter a sabedoria de conseguir conciliar várias demandas. Cenografia é um trabalho de equipe. Acho muito injusto quando falam o cenógrafo.

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O Teatro do Ator, em São Paulo, teve sua lotação esgotada na noite de segunda-feira, 6 de abril. A produção do evento utilizou–se do teatro Studio 184, ao lado, e com transmissão simultânea, acomodou o público extra. Com duas casas cheias na noite, foi criado o IBTT (Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral). A mesa de cerimônia foi assistida por 246 pessoas e dirigida pelo diretor teatral paulista Jamil Dias. Através de leitura de carta de intenções, ele relatou um pouco da história do IBTT, que teve início “na feira ExpoMusic de 2004, na cidade de São Paulo, com uma mesa redonda organizada por um grupo de iluminadores”. O grupo cresceu rapidamente e gerou um grupo para estudo, pesquisa e história da iluminação cênica. Inevitável que “entre suas conquistas e realizações estivesse o I Congresso Brasileiro de Iluminação Cênica em setembro de 2005, na Fascs, em São Caetano do Sul.” Dias lembrou também que além de cursos, palestras, publicações e encontros públicos este grupo de pessoas chegou “à mesma feira ExpoMusic, mas agora já estávamos em setembro de 2008 e as mesas redondas trouxeram profissionais de todo o Brasil. Ali, foram lançadas as bases de um trabalho conjunto sobre tecnologia teatral”. Com a ampliação da área de interesse e atuação do grupo e “em dezembro de 2008 foi criado o fórum de discussão do IBTT, na internet”. Além do fórum de discussão, nesses quatro meses, o grupo recolheu acervo de revistas, livros, teses acadêmicas, manuais, programas de teatro, apostilas e um respeitável banco de imagens, tornando-se uma das maiores bibliotecas brasileiras sobre o assunto. O IBTT também pretende atuar na área de formação profissional, “pois conta em seus quadros com inúmeros docentes de várias universidades brasileiras e estes discutem, hoje, a implementação de um curso de ensino à distância para tecnologia teatral”. Depois de um intervalo, teve início o seminário sobre “Iluminação e Trilha Sonora  para Espetáculos”. Sob a mediação  do iluminador paulista Milton Bonfante, os artistas paranaenses Beto Bruel e Guto Gevaerd descreveram seus métodos de trabalho, dificuldades e soluções técnicas para a criação respectivamente da iluminação e trilha sonora dos espetáculos “Não Sobre o Amor” e “Avenida Dropsie”, ambos da Sutil Companhia de Teatro, dirigida por Felipe Hirsch.

 

 

Sergio Pinto (Sesc SP) , Renato Mussa (Prefeitura da Cidade de São Paulo / Secretaria Municipal de  Cultura), Mariza Porto (Senac SP), Jamil Dias, Sergio de Azevedo (Fundação das Artes de São Caetano do Sul), Ligia de Paula (Sated SP) e Mauro Martorelli (Funarte SP)

 

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