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A 12ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional terá 42 apresentações este ano. Dessas, 24 subirão aos palcos e outras 18 serão encenadas em espaços públicos descentralizados da capital pernambucana


Por Adoniran Peres, redação Florianópolis
Dando sequência a uma trajetória que visa descentralizar a arte, os espetáculos da 12ª edição do FRTN (Festival Recife do Teatro Nacional), que acontece entre os dias 19 e 30 de novembro, promete, mais uma vez, ultrapassar as fronteiras da cultura e movimentar os teatros e espaços públicos da capital pernambucana. Há três anos, o festival leva peças teatrais para 18 micro-regiões de Recife. Por falar em descentralizar, destaque para o teatro de rua, que, este ano, virá com força total – abrirá o festival com a peça “Till: a saga de um herói torto”, do grupo mineiro Galpão. “Descentralizar tem tudo a ver com o tema do festival deste ano: o teatro e a cidade. Moradores de bairros de difícil acesso não precisarão se deslocar para os grandes teatros para ter acesso à cultura e isso é fantástico”, diz Lúcia Machado, coordenadora do FRTN.
Outra atração mineira que também promete atrair o público nas ruas é a peça “Baby Dolls – uma exposição de bonecas”, do grupo Obscena. Já o Teatro que Roda, de Goiânia, traz sua versão de “Quixote”, de Cervantes, uma montagem que convida o público a rever a paisagem urbana por um outro ângulo, cheio de fantasia. Ao todo, 42 apresentações fazem parte da edição de 2009, que reúne importantes companhias da cena contemporânea nacional. Dessas, 24 apresentações subirão aos palcos do Teatro Barreto Junior, Teatro do Parque, Teatro Apolo, Teatro de Santa Isabel e Teatro Hermilo Borba Filho, além das outras 18 récitas que serão encenadas em regiões descentralizadas, como Jordão Alto e Barro.
Durante os 11 dias, a cultura teatral de Recife será reforçada com grupos de Pernambuco, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de Goiás, do Rio Grande do Sul, do Rio Grande do Norte e do Ceará. “O público do Recife vai respirar teatro, com acesso a espetáculos de altíssimo nível a preços populares”, explica o secretário de cultura Renato Lins. As peças têm preço máximo de R$ 5. Em 2008, aproximadamente 16 mil pessoas se deliciaram com os espetáculos do FRTN e, para 2009, estima-se que esse número seja ainda maior, pois mais peças de rua farão parte da grade, o que garante mais espectadores.
“São, pelo menos, dois espetáculos de rua que requisitaram espaços maiores e, consequetemente, pela grande estrutura montada e qualidade das peças, deve atrair um número grande de pessoas”, avalia Lúcia Machado, coordenadora do FRTN. Segundo ela, o festival visa fazer do teatro um instrumento de transformação do homem, com provocação do senso crítico, de forma que esteja junto com o povo e que interaja com ele. “As peças envolvem temáticas sociais próximas das comunidades. Entendemos que quanto mais próxima da comunidade melhor”, frisa.


Seminário e oficinas
Dentro da programação do festival serão realizados seminários e oficinas com temáticas relacionadas, principalmente, às áreas técnicas do teatro. De 21 a 24 de novembro, o Teatro Apolo receberá o seminário “Cenografias para um Teatro em Trânsito”, com participação de José Carlos Serroni (SP), João Denys Araújo Leite (RN/PE), Marcondes Lima (PE) e Cláudio Lira (PE). De 18 a 21, José Carlos Serroni (SP) ministra oficina no Oi Kabum! com o tema “Reflexões sobre Cenografia e o Espaço Cênico”. O especialista vai falar sobre a evolução do espaço cênico da Grécia até os dias de hoje, além da relação do figurino e da iluminação com a cenografia.
Lições de cenotécnica serão apresentadas por Helvécio Alves Izabel, em oficina de Cenotécnia, no Teatro Apolo, dias 17 e 18 de novembro, com elementos básicos de carpintaria, serralharia, traquitanas e mecanismos. Os participantes poderão estudar as dimensões do palco e caracterizar o espaço de acordo com as necessidades do espetáculo, além de construir objetos de auxílio técnico. Roberto Gill Camargo (SP) ministra oficina de Sonoplastia, de 25 a 27 de novembro, na Sala de Dança do Teatro de Santa Isabel, com detalhes da função estética do som e o processo de criação sonora.
Já a Cia. Obscena (Agrupamento Independente de Pesquisa Cênica-MG) propõe a produção de textualidades cênicas diversas por meio do desenvolvimento de relações com objetos, espaços, corpos e narrativas, além de procedimentos de corpo instalação, na oficina “Como se fabrica uma mulher?”, de 25 a 27, no Espaço Compassos.
O XII Festival Recife do Teatro Nacional tem investimento total de R$ 755 mil e conta com patrocínio da Eletrobrás, Chesf, Coopergas e BNB, além do apoio institucional do Minc-Funarte, Cepe (Companhia Editora de Pernambuco) e Oi Kabum!.

PROGRAMAÇÃO DESCENTRALIZADA
19.11 - 19h
20.11 - 20h
TILL, A SAGA - Praça do Arsenal

22.11 – 16h
MISERIA - Morro da Conceição
QUIXOTE - Academia da Cidade - Joana Bezerra

23.11 – 16h
MISERIA - Praça Nossa Senhora de Fátima - San Martin
QUIXOTE - Praça Coronel Othon – Macaxeira

24.11 – 16h
BABY DOLLS - Rua da Imperatriz - Boa Vista
MISERIA - Praça Tertuliano Feitosa – Hipódromo
QUIXOTE - Em frente ao CSU Afrânio Godoy - Alto Santa Terezinha

25.11 – 16h
BABY DOLLS - Pátio da Feira de Casa Amarela
QUIXOTE - Praça Presidente Kennedy - Jordão Alto
MISERIA - Praça Arnaldo Assunção - Engenho do Meio

26.11 – 16h
BABY DOLLS - Praça Pinto Damásio – Várzea
QUIXOTE - Praça Barreto Campelo – Torre
MISERIA - Buraco da Gata - Três Carneiros

27.11 – 16h
BABY DOLLS - Terminal Integrado de Passageiros / Estação do Metrô - Barro
MISERIA - Praça das Lavadeiras – Areias

28.11 – 16h
BABY DOLLS - Praça Nossa Senhora da Boa Viagem




Programação nos Teatros

20.11 – 19h
19h - Teatro Barreto Júnior - Encruzilhada Hamlet (PE)

21.11
16h30 - Teatro do Parque - Outra vez, era uma vez... (PE)
19h - Teatro Barreto Júnior - Encruzilhada Hamlet (PE)
21h - Teatro Apolo - In On It (RJ)

22.11
16h30 - Teatro do Parque - Outra vez, era uma vez... (PE)
19h - Teatro Hermilo Borba Filho - Carícias (PE)
21h - Teatro Apolo - In On It (RJ)

23.11
19h - Teatro Hermilo Borba Filho - Carícias (PE)
21h - Teatro de Santa Isabel - Vozes Dissonantes (SP)

24.11
19h - Teatro Hermilo Borba Filho - Playdog (PE)
21h - Teatro de Santa Isabel - Mary Stuart (RJ)

25.11
19h - Teatro Hermilo Borba Filho - Playdog (PE)
19h - Teatro Barreto Júnior - A Mar Aberto (RN)

26.11
19h - Teatro Barreto Júnior - A Mar Aberto (RN)
21h - Teatro Apolo - Réquiem (SP)

27.11
19h - Teatro Barreto Júnior - Meire Love (CE)
21h - Teatro Apolo - Réquiem (SP)
21h - Teatro Hermilo Borba Filho - Rainhas – Duas atrizes em busca de um coração (SP)

28.11
19h - Teatro Barreto Júnior - Meire Love (CE)
21h - Teatro Hermilo Borba Filho - Rainhas – Duas atrizes em busca de um coração (SP)
19h - Teatro do Parque - Encantrago – Ver de rosa um ser tão (CE)

29.11
21h30 - Teatro do Parque - Encantrago – Ver de rosa um ser tão (CE)

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Por Daniel Pinton Schilklaper

A partir do próximo dia 23, a Bahia abre suas cortinas para o Fiac-BA 2009 (Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia), em busca de uma cada vez maior pluralidade artística, com produções nacionais e internacionais. Até o dia 31 de outubro, serão 26 montagens com artistas de companhias de sete países, além do Brasil: a França, com “L’ Effert de Serge” e “La Prix, La Porte”; o Chile, com “Neva” e “Diciembre”; o Senegal, com “J’accuse”; a Dinamarca, com “Orô de Otelo”; a Holanda, com “Bull Dancing/Urro de Omi Boi”; a Alemanha, com “Jardim das Delícias”; e os Estados Unidos, com “La Prix, La Porte”. Entre os nacionais, a capital baiana recebe criações de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, numa diversidade que inclui o cruzamento de hip-hop e dança contemporânea, como o “H3”, e de ilusionismo e teatro, como o “Além da Mágica”; trabalhos de clown, como o “A Noite dos Palhaços Mudos”; e centrados na investigação de uma dramaturgia moderna e da interpretação, como “Rainha(s), Duas Atrizes em Busca de um Coração”, “In On It” e “Comunicação a Uma Academia”.
O festival, no entanto, não se resume a apresentações de espetáculos diversos. A iniciativa inclui atividades de formação e reflexão, como oficinas, palestras, encontros e lançamento de livro, além do Lounge Fiac Oi, um espaço de convivência que engloba outras linguagens artísticas. “O sucesso da primeira edição trouxe alegria, mas veio acompanhado de muita responsabilidade. Assumimos, desde o princípio, tentar trazer para a Bahia uma programação voltada para o que está acontecendo no mundo, em termos de experimentação estética e de linguagem. Continuamos com o mesmo espírito e comprometimento, pautados pela busca de espetáculos de qualidade, provocadores e inovadores”, enfatiza Nehle Franke, codiretora do Fiac-BA, que coordena o evento em conjunto com Felipe de Assis e Ricardo Libório.
A provocação e a inovação às quais a diretora se refere não faltam à peça que, emblematicamente, abre o festival, dia 23, às 20h, no Teatro Castro Alves, só para convidados: “Regurgitofagia”. Nela, o ator e autor Michel Melamed lança mão do cruzamento de várias linguagens, como o teatro, a poesia falada, o stand-up comedy, sua performance e as artes visuais, para discutir a sobrecarga de estímulos do mundo contemporâneo e a relação que a sociedade de consumo estabelece com a cultura. Através de uma interface tecnológica, cada reação sonora da plateia (risos, aplausos, tosses etc.) é captada por microfones e transformada em descarga elétrica sobre o corpo do ator/autor. Assim, Melamed constrói uma espécie de espetáculo-manifesto, no qual propõe que se “vomite” os excessos a fim de avaliarmos o que de fato queremos redeglutir. A partir da noite da abertura, o Fiac-BA se espalha por 16 palcos diferentes. 
“O público deve esperar uma programação diversificada e com um olhar bastante especial para o trabalho do ator. Muitos desses espetáculos têm elenco reduzido. Isso não foi um critério, mas em um ano de incertezas, pode ter nos influenciado indiretamente. Contudo, o que pautou a escolha foi a qualidade”, explica Felipe de Assis, lembrando que o festival ainda ampliou de 23 para 26 a oferta de atrações, em relação à primeira edição.


O Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia será palco de uma homenagem ao ator e diretor baiano Arildo Deda, que completa 70 anos de vida e está se aposentando da escola de Teatro da UFBA, no auge da sua maturidade criativa. O projeto tem o apoio da Secretaria de Cultura e de alunos e professores da UFBa, que realizarão uma leitura dramática do texto de Luiz Marfuz e que será interpretado pelo próprio Arildo Deda. A leitura de A Última Seção de Teatro, com direção de Marfuz, acontece dia 29, no Teatro Martins Gonçalvez, às 19h. Em seguida, em novembro, a peça estreia, no Teatro Vila Velha, com exibição nos dias 27, 28 e 29, seguido por seções 4, 5 e 6 de dezembro.



Serviço: de 18 a 20 de outubro, os ingressos para o festival serão vendidos a preços promocionais de R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia), exclusivamente na bilheteria do Teatro Castro Alves (das 12h às 18h) – Tel: (71) 3117-4899. No dia da apresentação, a venda de ingressos se dará exclusivamente nas bilheterias dos teatros. Durante o Fiac, o valor de qualquer ingresso é de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Mais informações com Beto Mettig: (71) 9112-6782, Joceval Santana: (71) 9975-8368, Jean Cardoso: (71) 8803-2894 ou em www.fiacbahia.com.br.






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O ator Harildo Deda foi homenageado nesta edição do festival, sem festa por conta do luto estadual pela morte de Neguinho do Samba

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Por Leonardo Serafim / JT

Existe uma certa época do ano, em Porto Alegre, que artistas dos quatro cantos do planeta desfilam seus talentos pelos teatros da capital gaúcha. Que bilhetes se esgotam em segundos, por um público pronto para saciar sua sede pela boa arte. Que as aconchegantes poltronas das casas culturais da cidade são tomadas por um mar de gente, que busca, em algumas horas de espetáculo, transbordar emoções que apenas a arte cênica pode proporcionar. Tudo isso acontece no POA em Cena, evento que conquistou milhares de fãs com o passar dos anos, e chegou a sua 16ª edição no começo de setembro.
Desde 1994, na primeira edição do evento, mais de 690 peças, de 32 países, foram encenadas em solo gaúcho. Centenas e mais centenas de artistas, sejam eles sul-americanos, europeus ou de uma origem qualquer, pisaram nos palcos da cidade para encantar mais de 700 mil pessoas que já prestigiaram o festival.
Nessa 16ª edição, o evento promete manter a qualidade dos últimos anos – quem sabe, até, superá-la. Para isso, não faltam atrações. Logo na estreia, o Porto Alegre em Cena trouxe um dos espetáculos mais conceituados e cults do cenário internacional: a peça canadense “Kiss Bill”, paródia de uma das obras-primas de Quentin Tarantino, “Kill Bill”. Dirigida pela coreógrafa portuguesa Paula de Vasconcellos, a encenação deixa de lado os banhos de sangue aplicados pela atriz Uma Thurman, na versão original, para focar no amor e na compaixão. Recheado por números de danças e um humor impagável, a heroína da peça, ao invés de ir atrás de Bill para cortar sua cabeça, vai ao seu encontro para perdoar todas as suas atrocidades cometidas no passado.
As atrações canadenses não param por aí. Junto com a França, o vizinho educado dos Estados Unidos possui as peças mais cobiçadas pelo público gaúcho. Regado pela boa trilha sonora, que se impõe pelas “Sonatas Para Piano”, de Beethoven, o espetáculo “Crépuscule des Océans” traz bailarinos que executam com maestria movimentos ora sutis, ora enérgicos.
Já os franceses não deixam seu charme de lado e protagonizam três das principais peças do festival. “Quartett”, texto de Heiner Müller dirigido por Bob Wilson, com Isabelle Huppert será responsável pelo encerramento no Em Cena 2009. O renomado diretor francês Patrice Chéreau, também mostrará sua genialidade no evento. Mais conhecido por seus trabalhos no cinema, (Irmãos, de 2003, e Gabriele, de 2005) Chéreau apresentará nada menos que dois espetáculos. E quem for assistir as obras, terá de se conter para não cortar os pulsos, devido aos fortes temas. Em “La Douleur”, ele retrata o drama da escritora Marguerite Duras, que relata sua angústia enquanto espera o regresso de seu marido, deportado para um campo de concentração nazista, em 1945. Já “Le Grand Inquisiteur”, estória extraída de um romance de Fiódor Dostoiévski, conta a volta de Jesus Cristo à Sevilha do século XVI.
Entre as atrações nacionais estão peças do Rio Grande do Norte, de Pernambuco, da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Belo Horizonte, de Goiás e do Rio Grande do Sul. O teatro gaúcho estará representado por dez espetáculos que concorrem ao Prêmio Braskem em Cena. Mais uma vez, o Projeto de Descentralização levará encenações a todas as regiões periféricas da cidade, como uma iniciativa consolidada na grade do Em Cena, levando arte e cultura para essas comunidades.
Além das peças, o Porto Alegre em Cena também contará com diversas oficinas gratuitas espalhadas pela capital. O público poderá interagir e aprender um pouco mais sobre o teatro com renomados atores, diretores, professores, figurinistas e cenógrafos, que estarão presentes até o dia 25 de setembro, data de encerramento do festival.



TEMAS DO POA EM CENA

Polêmicas e corpos nus em mais uma edição do POA em Cena

Por Adriana Machado

Com tantos espetáculos a serem assistidos, o POA em Cena se torna um mosaico de assuntos polêmicos e instigantes, sem deixar de lado a contemporaneidade. Nos palcos dos teatros da cidade será possível ver – e refletir – obras de ficção política que exploram a realidade da guerra e seu poder transformador da consciência coletiva, como, por exemplo, o espetáculo “Diciembre”, do Chile. Ainda da América Latina, insegurança, violência, drogas, ética, culpa e responsabilidade numa história sobre a morte acidental de um menino de oito anos provocada pela polícia numa desastrada perseguição a terroristas, ponto de partida de “El ultimo fuego”, do Uruguai.
Textos perturbadores fazem parte do universo teatral apresentado no festival. Prova disto é o “La Douler”, da França, um pequeno volume em forma de diário, onde a escritora Marguerite Duras relata sua angústia enquanto espera o regresso de seu marido, deportado para um campo de concentração nazista, em 1945. Mas na programação do POA em Cena existem ainda histórias capazes de fazer rir. “La madre impalpable”, da Argentina, trata de uma mãe atrapalhada que vai à escola de seu filho para queixar-se de discriminação por ele ser gordo, numa cruzada patética e, com certeza, engraçada.
Grandes escritores e dramaturgos não serão esquecidos, exemplo resgatado em “Le Grand Inquisidor”, romance escrito pelo russo Feódor Dostoievski, em um capítulo retirado da obra Os irmãos Karamazov (A Lenda do Inquisidor), relatando a volta de Jesus Cristo à Sevilha do século XVI. Nelson Rodrigues, por sua vez, inspirou a montagem “Los Siete Gatitos”, do Uruguai, colocando em cena uma família que projeta em sua filha caçula todas as esperanças de salvação. Os espetáculos nacionais também adaptam obras de Moacyr Scliar (“A mulher que escreveu a Bíblia”); Eugene O´Neil (“Antes do café”) e Lya Luft (“O silêncio dos inocentes”).


Corpos em evidência
Na dança, o Canadá impera com maestria. Os destaques serão os corpos musculosos, nus ou com roupas de baixo, executando com maestria movimentos ora sutis, ora energéticos – caso da companhia Crépuscule des Océans. Ou então em duetos, exaltando o amor através de coreografias engenhosas de um dos maiores nomes da dança moderna daquele país, James Kudelka, coreógrafo e diretor artístico do National Ballet, no In Paradisum. Em “Kiss Bill”, da portuguesa Paula de Vasconcellos, três montagens, numa mistura de dança e teatro, estão juntos em uma paródia ao filme “Kill Bill”, do cineasta americano Quentin Tarantino. 
Os espetáculos musicais respeitam o ecletismo do público e começa com “Ruas” – show da cantora Mísia, de Portugal, uma das mais importantes fadistas portuguesas surgidas na última década, com participação especial de Adriana Calcanhoto. Fenômeno surgido a partir de vídeos na internet, o grupo israelense The Voca People, de Israel, fará cantorias à capela, coreografias e  o moderno beat-box (sons produzidos com a boca imitando instrumentos musicais). Os artistas se auto-intitulam oito “aliens”, amigos do Planeta Voca (um mundo onde a comunicação é feita apenas por expressões vocais) que, ao longo dos anos, ouviram a música da Terra e agora querem imitar os sons.
Os destaques nacionais não são menos importantes, com o show de Arthur Nestrovski, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik, no Theatro São Pedro e Balangandãs, de Ná Ozzetti, e as canções imortalizadas na voz de Carmem Miranda. O público terá a chance de ouvir 15 canções especialmente selecionadas, em companhia do violonista Dante Ozzetti e o violoncelista e guitarrista Mário Manga. Outras atrações são “No Salto”, de Leo Cavalcanti, e, finalmente, Adriana Calcanhoto com “Qualquer coisa de intermediário”, recheada de poesia portuguesa de Camões e Fernando Pessoa, o fado, a canção provençal de Arnaut Daniel, Amália Rodrigues e os versos de Fiama Pais Brandão.

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