Zélia Monteiro busca inspiração no balé clássico em seu novo espetáculo

Zélia Monteiro busca inspiração no balé clássico em seu novo espetáculo

Discípula de Klauss Vianna e Maria Melô, Zélia Monteiro recupera parte de sua formação em PERCURSOS TRANSITÓRIOS que estreia na Galeria Olido

Desde o início de sua carreira, Zélia Monteiro tem focado sua pesquisa na improvisação cênica. Em seu mais recente trabalho, PERCURSOS TRANSITÓRIOS, que estreia na Galeria Olido, no dia 16 de junho, quinta-feira, às 20 horas, Zélia busca inspiração no balé clássico para servir como provocação da improvisação. Com ingressos gratuitos, o projeto foi contemplado pela 19ª edição do Programa de Fomento à Dança da Secretaria Municipal de Cultura.

“O balé faz parte da minha formação e também sou professora de balé há anos. Esse universo de ensino e aprendizagem é o meu objeto de estudo. De certa forma, tento trabalhar a minha memória, a memória desse corpo treinado no balé, seus músculos e seus apoios, para poder criar outros movimentos”, explica Zélia.

Em seu trabalho anterior, Sob o meu, o nosso peso, Zélia focou muito na questão da memória, recuperando um lugar e uma história de sua família. Dessa vez, a memória continua presente, mas agora se volta mais para a história do seu corpo de bailarina.

Desconstruir para reconstruir

Para a pesquisa de PERCURSOS TRANSITÓRIOS, Zélia buscou elementos constitutivos da linguagem do balé para servirem como ignição das ações improvisatórias. Mas não se trata de uma abordagem dessa linguagem no seu contexto usual, no sentido da codificação de seus movimentos, específicos de uma época e tradição.

“Desde meu encontro com Klauss Vianna (1928-1982) o estudo de padrões de movimento e de possibilidades de reconfiguração destes, tornou-se uma tônica em minha pesquisa. Desconstruir para reconstruir. Realizar o gesto aprendido e treinado, buscando procedimentos desestabilizadores de sua organização, provocando assim novas maneiras de configurá-lo na sua relação com o ambiente. Códigos aprendidos, hábitos, quando desarticulados de seus contextos, se tornam vocabulário para a construção de danças, trazendo novos sentidos ao discurso daquele corpo”, relata a bailarina.

O balé também está no figurino. Não em forma do tutu que costumamos ver, mas das roupas de ensaios e aulas dos bailarinos. Luz e música, assim como a dança, também se baseiam na improvisação.

Sobre Zélia Monteiro
Estudou dança clássica e foi assistente de Maria Melô, aluna de Cecchetti no Scalla de Milão. Trabalhou por oito anos com Klauss Vianna, de quem também foi assistente, participando de seu grupo de pesquisa e criação. A partir dessa experiência intensificou seu trabalho no sistema didático e artístico criado por ele. Após sua morte mudou-se para Paris onde trabalhou com Mme. Marie Madelaine Béziers (Coordenação Motora), Mathilde Monnier, Peter Goss, Daria Faïn (Dança Contemporânea) e com Yvonne Berge (Improvisação para crianças). Foi premiada pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 1987, 1992, 1998 e em 2010. Dá aulas regulares de balé na Sala Crisantempo e é professora no curso de Comunicação das Artes do Corpo – PUC/SP. Dirige o Núcleo de Improvisação desde 2003.

Sobre o Núcleo de Improvisação
O Núcleo de Improvisação é um grupo de pesquisa em dança contemporânea orientado por Zélia Monteiro, que surgiu em 1998 com a necessidade de alguns artistas em aprofundar e dar continuidade à pesquisa de linguagem iniciada com Klauss Vianna. Estuda a improvisação não apenas como procedimento para explorar e criar novas gramáticas de movimentos, mas fundamentalmente como estrutura de composição do espetáculo. Reúne artistas com experiências em diferentes linguagens: dança, teatro, música e artes visuais. O Núcleo de Improvisação busca inspiração na abordagem e pensamento de Klauss Vianna sobre o corpo e a dança e utiliza estes princípios como meio de estudar, descobrir e criar interfaces entre diferentes linguagens artísticas.

Para roteiro:

PERCURSOS TRANSITÓRIOS – Estreia dia 16 de junho, sexta-feira, às 20 horas, na Sala Paissandu da Galeria Olido. Concepção e Criação Dança – Zélia Monteiro. Criação Luz – Hernandes de Oliveira. Criação Musical – Felipe Merker Castellani. Criação Figurino – Joana Porto. Criação Cenográfica – Núcleo de Improvisação. Assistente de Ensaios – Key Sawao. Fotos e Designer Gráfico – Vitor Vieira. Produção – Ação Cênica Produções Artísticas. Assistente de Produção – Rafael Petri. Duração – 50 minutos. Livre. Grátis – Ingressos distribuídos uma hora antes do espetáculo. Temporada – De quinta-feira a sábado às 20 horas e domingo às 19 horas. Até 26 de junho.

GALERIA OLIDO – Avenida São João, 473. Telefone para informação – (11) 3331-8399. Capacidade da Sala Paissandu – 136 lugares.

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