Vera Zimmermann, a veraz

Vera Zimmermann, a veraz

Por Rodrigoh Bueno e Jarbas Homem de Mello

Veraz: [ve.raz – adj m+f (lat verace) 1 Que diz a verdade. 2 Em que há verdade; verídico. sup abs sint: veracíssimo] Dicionário Michaelis

Depois de 28 anos de trabalho no teatro, no cinema e na televisão, Vera Zimmermann reencontra nos palcos Nelson Rodrigues, o autor de sua primeira atuação. Em entrevista ao Jornal de Teatro, a atriz revela o que pensa sobre cada meio onde trabalha. E dispara: “Não há papel para mim no cinema brasileiro”.

Jornal de Teatro – Há alguma diferença na sua visão de Nelson Rodrigues da primeira vez que você interpretou uma obra dele para agora, em cartaz com “Vestido de Noiva”?
Vera Zimmermann – Muita diferença. Quando eu comecei com Nelson eu não sabia nada de teatro e caí de pára-quedas naquela companhia maravilhosa (Espetáculo Nelson Rodrigues – O Eterno Reencontro, com direção de Antunes Filho). Aprendi coisas absolutamente incríveis. Eu era praticamente uma adolescente, mas, mesmo naquela época, já tinha alguma compreensão e curiosidade sobre o trabalho dele. Hoje tenho um aprofundamento maior do trabalho dele e do meu. Existe uma diferença imensa entre 1981 e 2009, e, claro, que eu já tinha visto várias coisas de Nelson, mas é diferente quando você vai fazer mais um espetáculo. Você estuda Nelson de outra maneira, principalmente junto com o Gabriel (Vilella) e toda nossa equipe, porque é um autor genial.

JT – Seu trabalho teatral conta com grandes autores. Você acha importante fazer os clássicos?
VZ – Acho fundamental. Graças a Deus, fiz vários espetáculos de autores clássicos, principalmente junto com o Gabriel. Ele tem essa necessidade de trabalhar com os gênios da dramaturgia universal. É um privilégio poder estudar um Fausto, Becket. Eu acho muito importante poder circular por todos esses tipos de cabeças que escrevem essas loucuras maravilhosas, que só acrescentam.

JT – Como começou a parceria de trabalho com o Gabriel Vilella?
VZ – “Vestido de Noiva” é o sexto espetáculo que faço com ele. Começou em 2000, quando a gente fez “Replay”. Ele me chamou através de um amigo, Léo Pacheco, que trabalhava com ele e logo a gente se apegou. O Gabriel tem um pouco esse hábito de trabalhar novamente com os atores que ele tem afinidade. E eu tirei a sorte grande porque o Gabriel é um gênio, o tipo de teatro dele me interessa, a gente fala uma língua parecida.

JT – Você tem uma maneira particular de conduzir sua carreira, “toma as rédeas” das negociações..
VZ – Eu acho que no Brasil, infelizmente, a gente não tem agente que fica brigando por nós, o melhor agente somos nós mesmos. Agora, é óbvio que quando você está em evidência, precisa de um agente. Evidência que eu quero dizer é que você está na novela das oito na Rede Globo, porque daí todo mundo quer você e você precisa de alguém para atender seu telefone e suprir em tudo que as pessoas querem oferecer, convidar e não sei o quê. Agora, comigo, eu realmente que falo. Tenho muitas amizades, vendo meu peixe. Não é que eu não tenha agente e fico em casa parada, eu vou à luta, mostro minha disponibilidade, meu tempo e minha vontade de trabalhar com as pessoas. Se tem uma coisa que eu fiz, faço e vou fazer cada vez mais é estar em contato com esses profissionais. A gente tem que estar esperto nesse mercado competitivo.

JT – Qual sua relação com o cinema?
VZ – Acho cinema uma coisa meio complicada para fazer no Brasil para uma pessoa que tem meus traços físicos. A maioria dos filmes nacionais conta muita história do País, fala da pobreza, da favela, essas coisas. E eu, loira de olho azul, mesmo brasileira, acho que tenho um mercado restrito. Não há muito papel para mim no cinema brasileiro. Eu acho o cinema nacional maravilhoso, mas eu não tenho muito essa ilusão porque eu sei que não tenho cara de brasileira.

JT – Mesmo já atuando no teatro sua projeção no início da carreira veio mesmo da televisão?
VZ – Televisão é nosso ganha-pão e é um aprendizado de improviso. Não há tempo para se aprofundar no texto, a gente vai lá e faz. Ao mesmo tempo é um exercício muito difícil porque é imediato. Isso torna o trabalho muito legal, um desafio instigante e um ganha-pão – porque se a gente for depender só de teatro para sobreviver é complicado. A televisão me ajudou muito. Fazer a Divina Magda (na novela “Meu Bem, Meu Mal”, da Rede Globo) foi um empurrão na minha vida, mas eu nunca deixei de ter a consciência de que eu precisava manter o trabalho no teatro, que eu não podia fazer só televisão. Na época da novela eu era muito jovem, tinha que aprender muita coisa. É o que eu tenho feito e vou fazer para o resto da vida: estudar e aprender.

JT – Ao falar de Vera Zimmermann é difícil esquecer a música “Vera Gata”, do Caetano Veloso..
VZ – As pessoas falam “como você conheceu o Caetano?” e essa pergunta me arrepia, porque eu já a respondi milhão de vezes. Mas é uma honra eterna, não tem uma pessoa que não queria ter uma música feita pelo Caetano, um dos nossos melhores cantores, artistas e compositores.

 

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