Um presente do à moda Cia. Teatro Independente

Um presente do à moda Cia. Teatro Independente

 

Por: Fabiana Costa

De 19 de junho a 13 de julho, o Teatro Glauce Rocha será palco de grandes festividades. Em comemoração aos oito anos de existência, o Teatro Independente fará a festa da maneira mais eficaz para eles e para o público, uma mostra comemorativa. 

Os espectadores serão presenteados com três peças que compõe o repertório da Cia: A primeira estreou em 2007, “Cachorro!”, narra a perigosa atividade amorosa de uma mulher que tem como amante o melhor amigo do seu marido, e quanto mais risco eles correm aumenta o desejo de estarem juntos. A peça foi indicada ao Prêmio Shell-RJ de Melhor Direção (Viniciús Arneiro). 

Depois o espetáculo “Rebú” de 2009. A história se passa no século XIX, quando o jovem casal Matias e Bianca se prepara para receber a visita de Vladini, irmã adoentada do chefe da casa, ela traz consigo uma espécie de filho. A presença dos visitantes traz à tona embates e revelações. “Rebú” foi indicado ao Prêmio APCA de Melhor Autor (Jô Bilac).

Por fim, o mais recente trabalho, “Cucaracha” de 2012, que aborda a delicada relação de afeto e dependência entre Vilma e Mirrage, respectivamente uma paciente em coma e uma enfermeira. A peça investiga temas como amizade e futuro, em duas frágeis perspectivas de liberdade.

A Cia aniversariante é composta por cinco integrantes e esporadicamente recebe convidados para somar as peças. Em entrevista ao Jornal de Teatro a atriz Júlia Marini respondeu algumas perguntas:

JT: O que representam esses oito anos de união? Como é o processo de reciclagem? 

Júlia Marini: Penso que fazemos teatro principalmente para entender como a vida é efêmera e lidar com isso.

Sobre essa perspectiva, oito anos não representam nada.

Oito anos são:

São oito anos caminhando juntos, mesmo que cada um aponte para uma direção. São oito anos de confiança. Oito anos de muito trabalho, amor, tolerância, expectativas, conversas, risadas, choro, comemoração, encontros, desencontros, afinidades, diferenças. Oito anos de muita vontade de fazer tudo cada vez melhor e com fé que vai dar certo. Oito anos de “haja o que houver”. Oito anos antes de fazer 30. Às vezes dispersos. Trabalhando em projetos fora da Cia. Porquê sim, é preciso olhar de fora pros próprios processos e parceiros para re-conhecer talentos, atualizar admiração e respeito e re-afinar os desejos artísticos. Só então é possível nos reencontrarmos num novo movimento. Esse tem sido nosso processo natural de reciclagem. O Teatro Independente em sua primeira formação, também contava com a presença de nosso grande amigo, o ator Felipe Abib. Após sua saída, a Cia. seguiu estrada e deu continuidade ao trabalho. Desde então, o Teatro Independente é formado pelos artistas Carolina Pismel, Jô Bilac, Júlia Marini, Paulo Verlings e Viniciús Arneiro.

 

JT: Como é a rotina do grupo? A prioridade de todos os componentes é a Cia? 

Júlia Marini: Para a montagem dos nossos espetáculos, em geral, começamos a nos encontrar e conversar sobre o projeto. As reuniões vão aumentando à medida que o processo vai afunilando as informações. O próximo passo é ir pra sala de ensaio e começar a levantar material sobre os temas e referências já escolhidos nos momentos das reuniões. Na sequência chamamos o Jô, para assistir composições cênicas feitas por nós – atores e diretor – a partir dos temas. Aí então ele escreve as primeiras cenas. Montamos, ele assiste. Debatemos. Modificamos. Chegamos num consenso de caminho (ou não) e ele continua a escrita. Que vai sendo feita de pouco em pouco nessa plataforma colaborativa até poucos dias antes da estreia, quando chega o final da peça e estreamos. Nossos ensaios costumam durar oito horas diárias, de 3 a 4 meses.

Priorizamos os trabalhos que fazemos na Cia. Optamos por eles! Afora isso, pessoalmente, temos outros desejos paralelos. Por isso mesmo, vamos ampliando individualmente e como grupo nossas parcerias e possibilidades de trabalho, no teatro, na TV e no Cinema. Até por que, é cada vez mais comum (e necessário) estar em vários trabalhos ao mesmo tempo para viver nessa cidade suRReal que virou o Rio de janeiro.

 

JT: Vocês trabalham, quando necessário, com atores convidados. Existe a possibilidade de aumentar o número de componentes fixos? 

Júlia Marini: Sim. Em “REBÚ” além de Carolina Pismel, Júlia Marini e Paulo Verlings – atores da Cia. – também estreou a peça o ator Diego Becker que nunca foi substituído e faz o personagem “Nataniel” até hoje.

Não diria que é impossível aumentar o número de componentes fixos. Porém, como todo processo democrático é edificante e cansativo na mesma proporção (em função das mil e uma opiniões sobre absolutamente tudo), penso que a inclusão de alguém provavelmente se daria de um modo orgânico, quase imperceptível. Do tipo que quando você percebe a pessoa já é da Companhia, sabe. No nosso caso, agora, acho que só se fosse assim.

 

JT: Existe algum projeto de preparação de novos atores, como uma escola para aproveitamento? 

Júlia Marini: Não temos um projeto de escola, mas desde 2009 ministramos oficinas e debates por quase todos os estados do Brasil, por onde circulamos com nossos espetáculos. 

 

JT: As peças têm sempre uma pegada muito forte sobre as relações humanas (traição, piedade, afeto, amizade, etc.), comente sobre isso.

Júlia Marini: Desde que mundo é mundo religião, arte e ciência tentam responder as mesmas questões essenciais. Quem sou eu? Que eu faço aqui? Como e pra quê viver? Pra onde eu vou?

Nós não inventamos quase nada… rs!

Seguimos nos questionando, observando e refletindo sobre as mesmas questões fundamentais que inquietam a humanidade através do que propomos em nossos trabalhos.

 

JT: Já existe uma nova pesquisa para ser apresentada após essa comemoração? Um novo trabalho? Quais são as perspectivas do grupo para os próximos anos?  

Júlia Marini: Estamos em ebulição! Em movimento! Estabelecendo novas parcerias… Em breve daremos notícias! 

 

JT: Qual a impressão mais forte da Cia Teatro Independente?

Júlia Marini: A impressão de que temos sorte! rs!

 

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