Realidade visível da comunidade Carnaval

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Por Rubens Barizon 
rubensbarizon@editoraaver.com.br

O espetáculo carioca Maravilhoso cativou pela energia transmitida por todo o pessoal da peça teatral. O início estava marcado para às 21h, no entanto 20 minutos antes de começar a apresentação todos da produção e os artistas de palco já estavam na cena, demonstrando união e ensaiando em voz alta as frases de aquecimento na sala do teatro Bom Jesus na noite do dia 4 de abril, em suas posições iniciais e com luz acesa, clareza. O propósito da dramaturgia de Diogo Liberano no texto de Maravilhoso é retratar o período obsoleto da consciência política, econômica e social instalado na cidade do Rio de Janeiro durante os dias de carnaval.

O som dos instrumentos do ritmo afro-carioca deu a largada para a história que tem o Seu Dias como dono de uma escola de samba. Sujeito loiro, alto e bem vestido que com voz alta ditava as ordens aos subordinados no seu barracão. Henrique, o maravilhoso, tem problemas a resolver com sua esposa Wanda, uma mulher que tenta de todas as formas arranjar dinheiro para sobreviver, faz mandinga e transparece sua fraqueza espiritual. Henrique perdeu a sua mãe e tem um filho com Wanda para criar e de alguma forma precisa levantar um dinheiro para arcar com a responsabilidade. Discussões típicas da sociedade carioca marcam o enredo no início da peça.

Os outros dois personagens eram o condutor jornalista com voz ativa na peça Miguel e a piriguete filha de papai, Estrela. O figurino, com exceção do Dias que vestia cinto e acessórios brilhantes, tinham a aparência de manufaturados. Henrique quando cai nas teias do também bicheiro Dias, aparece em cena com roupa de canastrão. O cenário contava com um prato fundo e grande no centro do palco conotando diversos signos e um andaime ornamentado dava superioridade a quem lá em cima estava atuando.

Com o texto bem executado pelos atores, o trabalho de direção é sentido na coordenação das esquetes que davam evolução e harmonia no desfilar da interpretação que a encenação se conduzia, tanto na avenida, casa e no escritório do mandachuva Dias – já que a temática permite; o linguajar foi objetivo e coloquial. O som cênico do espetáculo introduzia as situações e distorcia o que o texto propunha. A produção do espetáculo funcionou e a conexão entre Rio de Janeiro e Festival de Curitiba fez valer a bilheteria no ótimo espaço cultural é o teatro curitibano Bom Jesus. A plateia aplaudiu de pé o elenco de “Maravilhoso”.

A Dramaturgia é de Diogo Liberano a Direção de Inez Viana. No elenco Carolina Pismel, Debora Lamm, Felipe Abib, Márcio Machado e Paulo Verlings. Na execução da iluminação Paulo César Medeiros. O Figurino é assinado por Flávio Souza; o cenário é de Luiz Henrique Sá e o Som Cênico marcado por Daniel Belquer.

Foto Rubens Barizon

Com Produção de Dani Carvalho e Idealização e Direção de Produção de Paulo Verlings, esse é o Maravilhoso, peça teatral que teve estreia na 22a edição do Festival de Teatro de Curitiba.

Foto Rubens Barizon


No camarim o Autor à esquerda e o elenco

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