Quase 15 anos de atuação, mas ainda com muitos avanços a serem feitos

Quase 15 anos de atuação, mas ainda com muitos avanços a serem feitos

Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude luta por mais valorização do teatro infanto-juvenil e por Supersimples para a área cultural

Por Felipe Sil

Entre os principais sindicatos de teatro no Brasil está o CBTIJ (Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude), criado em dezembro de 1995 por profissionais da área de teatro para crianças e jovens. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo a união dos profissionais da área e a expansão de um teatro de qualidade. Entre as missões do centro está a promoção de ações para a divulgação, a difusão e o desenvolvimento do teatro, além da defesa da profissionalização da classe. A presidente da entidade, Márcia Frederico, entretanto, admite que o teatro feito para crianças e jovens ainda não tem o reconhecimento devido em meio à classe, apesar de já ter obtido grandes avanços nas últimas décadas.
“Nós já tivemos muitos ganhos nesse últimos anos. A maioria dos teatros já oferece, por exemplo, o mesmo número de refletores e o mesmo espaço físico. Só que primeiro temos que mudar a mentalidade da própria classe. Muitos atores e atrizes vêem o artista de teatro para crianças e jovens como alguém com pouco talento ou amador. Não pensam na possibilidade dessa pessoa realmente ter uma vocação para atuar com esse tipo de público e ter se encantado com esse tipo de arte. Nossa luta é para dignificar esses artistas e nos fazer respeitar. Por enquanto, o cachê ainda é menor para o nosso segmento por essa desvalorização”, revela.
Para dar ainda mais força ao segmento, a entidade luta em Brasília para dar ao PNC (Plano Nacional de Cultura) maior prioridade a esse tipo de teatro, com base no que está definido no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “Mesmo assim, após quase 15 anos de existência, sentimos que ainda há muitos avanços a serem feitos. Ainda falta, por exemplo, patrocínio para a área de produção cultural infantil. Só que nos organizamos para atingir todos os nossos objetivos. Temos um conselho de 18 profissionais, que se reúnem quase todas as semanas no Rio de Janeiro, e contamos com aproximadamente 500 associados em todo o Brasil. Também usamos o nosso site (www.cbtij.org.br) para divulgar as nossas atividades e apresentar um panorama histórico do que é o teatro para a criança e o jovem”, comenta Bernardes.
Entre os aproximadamente 500 associados da entidade, com sede no Catete, no Rio de Janeiro, estão diretores, atores e produtores de teatro para o público infanto-juvenil em todo o País. O CBTIJ é representante no Brasil da Assitej (Associação Internacional de Teatro para a Infância e Juventude). Em atividade em mais de 80 países, a entidade contribui para uma política de incentivo à promoção da dignidade profissional nesta área. O clima é de ansiedade entre os diretores do CBTIJ também devido à votação no Congresso Nacional, nas próximas semanas, para a aprovação do Supersimples para a área cultural, que reduzirá os impostos de micro e pequenas empresas do setor. “No final de 2007, realizamos um grande trabalho para conseguirmos aprovar o projeto de lei, só que a Receita Federal o cassou no final do ano passado. Esse ano conseguimos fazer com que a lei voltasse ao Congresso e, agora, esperamos que aprovem a lei novamente e a coloquem em vigor já no ano que vem, afirma Antonio Carlos Bernardes, secretário e conselheiro de administração do CBTIJ.

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