Foto Lina Sumizono Primeira peça do coletivo de heterônimos, LIMBO

Primeira peça do coletivo de heterônimos, LIMBO

Grupo paulista do diretor e autor curitibano Alexandre França apresenta texto que retrata dois personagens convivendo como se estivessem num limbo

Inspirado pela leitura dos livros do autor Giorgio Agamben, Alexandre França (que também dirigiu e escreveu os espetáculos Billie e Mínimo Contato) busca em seu novo espetáculo a investigação do mecanismo formador de identidades e em como ele age diariamente na vida social. Esse é um dos motes de LIMBO, que estreia no Sesc Ipiranga no dia 24 de junho, sexta-feira, às 21h30 dentro do projeto Teatro Mínimo, que traz uma série de espetáculos intimistas, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator.

A peça marca a fundação do Coletivo de Heterônimos, que além de Alexandre, conta com os atores Amanda Mantovani (CPT) e Bruno Ribeiro (Club Noir), que estão em cena no espetáculo de estreia do grupo. Escrita há dois anos por Alexandre, LIMBO mostra um homem e uma mulher convivendo no que, provavelmente, seria um quarto de hospital. Em uma narrativa muito peculiar, a história desse homem, Guilherme, vai se misturando a uma série de outros episódios (impossível determinar se ligados a ele ou não), retratando a fase terminal de um paciente com câncer.

“Levo para o texto o que eu imagino que seja o fim de uma vida. Imagens passando na cabeça, de maneira desordenada e narrativas ganhando novos significados. A ideia de limbo é justamente trabalhar com a despossessão das coisas, dos conceitos e sentimentos. Pegamos uma doença como o câncer, que normalmente causa choro e tristeza e a colocamos numa situação em que o público ri, mesmo não sabendo se deveria rir daquilo”, explica Alexandre.

Apesar de ter escrito o texto há cerca de dois anos, Alexandre afirma que vê certa similaridade com o momento político do país. “Parece que vivemos no limbo. As pessoas pegam conceitos e significados e aplicam de maneira diferente, dependendo da situação, criando uma terceira opção descabida. Elas não enxergam ou não querem enxergar as coisas como elas realmente são”, critica o autor e diretor.

Novos conceitos
Alexandre, Amanda e Bruno dedicaram 2015 para a montagem de LIMBO. Alexandre explica que o desenho da dramaturgia exigiu isso dele e dos atores. “Minha ideia foi montar uma encenação ao estilo plano sequência, onde a união dos fragmentos de variadas linhas narrativas formam uma terceira. Busquei uma atuação líquida dos atores, fazendo eles enxergarem cada detalhe e imagem que o texto sugeria”, detalha.

França apostou num cenário limpo, assinado pelo artista Hélio Moreira Filho, onde a cor branca predomina. Um piso inteiramente branco, uma cama baixa e uma banqueta é o que basta para o Coletivo dar vida a um espaço espectral, o qual, segundo Alexandre “assistimos a um misto de paz e euforia próprio de um anúncio trágico dado em um hospital às três da madrugada”.

Para roteiro:

LIMBO – Estreia dia 24 de junho, sexta, às 21h30, no Sesc Ipiranga. Texto e direção – Alexandre França. Elenco – Amanda Mantovani e Bruno Ribeiro. Iluminação – Alexandre França e Erica Mitiko. Cenário e figurino – Hélio Moreira Filho. Desenho de som – L.P. Daniel. Produção – Coletivo de Heterônimo. Fotos de divulgação – Lena Sumizono. Duração – 45 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos. Capacidade – 40 lugares. Ingressos – R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência); R$ 6,00 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Ingressos à venda pelo portal www.sescsp.org.br. Temporada – Até 24 de julho, sextas-feiras às 21h30, sábados às 19h30 e domingos às 18h30.

*Dia 26 de junho, domingo, não haverá espetáculo.

SESC IPIRANGA – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga. Telefone – (11) 3340-2000.
Acesso para deficientes físicos.
Bilheteria – De terça a sexta-feira das 12h às 21h, sábado das 10h às 21h30 e domingo e feriado das 10h às 18h (ingressos à venda em todas as unidades do SESC).
Não há estacionamento.

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