Ópera legitimamente brasileira

Ópera legitimamente brasileira

 

Brasil ganha companhia para difundir a atividade e popularizar a música erudita em todo o território nacional

 

Por Nanan Catalão, Comunicação Social/MinC

 

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o maestro John Neschling anunciaram, dia 12 de novembro, em São Paulo, a criação da primeira Companhia Brasileira de Ópera. Uma iniciativa do maestro com o apoio do Ministério da Cultura, integralmente financiada com recursos do incentivo fiscal. Orçada em R$ 14 milhões, a companhia levará a todas as regiões do Brasil espetáculos de nível internacional, com elevado apuro técnico, a preços populares, além de cursos de formação para atores e músicos.

“Temos 100 anos de tradição de ópera e um grupo enorme de cantores no Brasil desprivilegiados. Então, a minha ideia foi criar uma companhia bem estruturada, que atinja grandes públicos que nunca tiveram acesso à ópera e, também, que ofereça aos profissionais hoje desempregados uma possibilidade digna de sobreviverem com sua arte, um trabalho fixo. Falo não só dos cantores, mas dos técnicos, maquiadores, iluminadores e outros profissionais envolvidos”, explicou o maestro.

O ministro da Cultura disse que o projeto se soma ao esforço do governo de democratizar a Cultura no País. “Traz o esforço de democratização integrado com o acesso à excelência artística, tanto no sentido de acesso da população, quanto no sentido de que artistas possam produzir e acessar o financiamento público”, afirmou Ferreira. Segundo ele, mesmo sendo uma instituição privada, a Companhia Brasileira de Ópera foi concebida em uma lógica pública. “Compreendemos a grandeza da iniciativa. Se fosse apenas um projeto de montagem, já seria importante, mas a companhia traz uma complexidade, com uma proposta clara de democratização a partir de um conceito inovador, que integra acesso, formação e recuperação de acervos”, explicou.

Também presente na coletiva, o secretário de Políticas Culturais do MinC, José Herencia, afirmou que o projeto procura inverter a tradicional equação exclusora da ópera, que, em suas palavras, “sempre foi conhecida por ter um custo muito alto para um público restrito, enquanto este projeto traz a proposta inédita de uma instituição de ópera com espetáculos a custo baixo para públicos amplos”.

Em sua primeira etapa, a Companhia Brasileira de Ópera pretende realizar mais de 100 apresentações da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, do compositor italiano Gioachino Rossini, em 20 cidades, para mais de 140 mil espectadores. “A ideia é estrear em abril de 2010, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, como parte das comemorações dos 50 anos da cidade, com apresentações também voltadas para a população da periferia da capital federal, para que ela possa, também, se sentir parte integrante das comemorações”, informou o ministro.

Segundo Neschiling, a peça foi escolhida por ser uma ópera de câmara, fácil de viajar. Será criada uma orquestra – a ser comandada por Neschling e maestros convidados como Abel Rocha, Vitor Hugo Toro e Ira Levin – e três elencos serão formados. “Esses artistas vão se dividindo ao longo da temporada. É importante dizer que não hierarquiza o elenco, pois o barítono que um dia faz o Fígaro, no dia seguinte canta Fiorello e por aí vai.” A concepção cênica da ópera, assinada pelo diretor italiano Pier Francesco Maestrini, faz uso de um desenho animado de duas horas e meia em que é narrada a história da ópera.

A Companhia Brasileira de Ópera criará um mercado permanente de trabalho para técnicos e artistas, além de funcionar como um centro de formação para estes profissionais. Estima-se que cada espetáculo envolverá, pelo menos, 200 pessoas em todo o Brasil, entre maestros, músicos, cantores, técnicos e montadores. Além disso, durante a turnê, serão realizadas master class para técnicos, atores e músicos locais.

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