Notícias de West End

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Adriano Fanti, Londres

Sou Adriano Fanti, graduando pela conceituada Guildford School of Acting, no curso de pós-graduação em Teatro Musical. Foi com felicidade e agradecido que recebi o convite do Jornal de Teatro para dividir com vocês minha experiência no circuito teatral londrino. Saibam que esta coluna, a partir de hoje, estará sempre cheia dos últimos acontecimentos da indústria artística inglesa. Inicialmente pensei em falar sobre o que é este vasto cenário, que tem até nome, para dar a vocês uma visão melhor das origens deste lugar e onde tudo acontece. Então, vamos lá!

O coração de Londres dá abrigo ao seu principal bairro teatral: o West End. Quem já deu um pulinho na terra da “tia Betty” e de Shakespeare provavelmente conheceu bem esta área, que não tem como passar desapercebida. Afinal, estamos falando de mais de 40 grandes teatros e famosos pontos turísticos.

Esta “teatrolândia” esbanja arquitetura em seus teatros construídos em era vitoriana-eduardina, com fachadas e decorações luxuosas em estilo neo-clássico romanesco e vitoriano. Todos de propriedade privada (Andrew Lloyd Webber possui sete dos principais teatros).

Não há como falar de teatro musical inglês sem citá-lo, mas muitos aqui têm lá suas reservas com relação ao seu trabalho, principalmente após a nova onda de “reality shows” comandados por ele, como o How do You Solve a Problem Like Maria (Como Resolver um Problema como Maria), em busca da nova Maria para o musical “A Noviça Rebelde” (The Sound of Music).

Andrew Lloyd Webber é continuamente apontado como um compositor de espetáculos com enfoque em cenários que enchem os olhos mas não possuem muito conteúdo. Fato é que, comercial ou não, este compositor/produtor/empresário inglês é um dos responsáveis por grandes shows do West End, cujos títulos são familiares ao redor do globo, embora, muitas vezes, confundidos como sendo shows da Broadway.

Frequentemente escuto pessoas referindo-se a shows como Cats, O Fantasma da Opera, The Rock Horror Picture Show, Jesus Christ Super Star, Mary Poppins, Billy Elliot, Evita, Sunset Boulevard (apesar de o filme ser americano) como se fossem shows da Broadway. Mas estes e muitos outros musicais são de autoria britânica.

Teatro musical, em sua forma mais jovem, se estabeleceu na Inglaterra (e em toda a Europa) no século XVIII, com as óperas e opera comique, na Franca, ou singspiel, na Alemanha. A Inglaterra logo começou a importar estas óperas e, em alguns casos, traduzi-las e clamar autoria própria. Eu sei, talvez os ingleses mereçam ter seus shows chamados de Broadway shows; karma!

Foi no final do século XIX que a troca de figurinhas entre os dois pólos teatrais começou. Após longo período recebendo os importes de entretenimento Europeu (principalmente inglês), os Estados Unidos viram o ‘debut’ do teatro musical de autoria americana com “The Belle of New York” (de Hugh Morton).

Inesperadamente, “The Belle of New York” fez mais sucesso na Inglaterra, para onde foi importada, do que nos Estados Unidos. A partir deste marco, porém, ambos os países estabeleceram esta parceria que até hoje alimenta os dois mercados.

Outro pequeno comum equívoco é: Broadway = Teatro Musical. Em ambos os circuitos, também há peças (não musicadas) fenomenais, e o intercâmbio entre os dois países, neste gênero, também é verdadeiro. Como é o caso de Mousetrap (de Agatha Christie), que aqui já está em seu quinquagésimo quinto ano em cartaz e esteve em vários palcos americanos.

Pois é, o West End é este festivo espaço cultural que celebra algumas centenas de anos em arte e vale muito a pena ser explorado. Eu não sei a resposta para a pergunta “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?” Mas o West End, definitivamente, veio primeiro. Minha nossa! Acabei de defender a Inglaterra, quem diria?

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