|
|
Por Adriana Machado
Um fenômeno atípico se confirmou na noite de entrega dos prêmios Açorianos de Teatro e Dança e o Tibicuera de Teatro Infantil pela Secretaria Municipal da Cultura a artistas e espetáculos destaques em 2008. A tradicional cerimônia ocorrida no Teatro Renascença, no dia 2 de abril, em Porto Alegre, revelou uma safra de novos talentos. Jovens não só de idade, mas que também trazem um novo “respiro” para a categoria, com propostas inovadoras e linguagem atraente a adultos e crianças.
![]() Exemplo de versatilidade, Daniel Colin já não tinha mais como segurar tantos troféus. Ganhou o prêmio de melhor dramaturgia por “A vida sexual dos macacos”, e o Tibicuera de Teatro Infantil com melhor dramaturgia, direção, melhor ator coadjuvante e consagração do júri popular pelo espetáculo “O jogo da memória”. Emocionado e aplaudido pelos colegas de profissão, ele ressaltou a importância do reconhecimento. “É a primeira vez que ganho. Com certeza, isto vai abrir novos caminhos”, disse. As comissões julgadoras da dança e do teatro retomaram uma categoria extra, a de revelação, concedido para o bailarino Cauan Rossoni, por “La chronic” e às atrizes da peça “As bufa”, Aline Marques e Simone de Dordi. A última começou a atuar aos 13 anos, e hoje, com 25 anos, se orgulha por ter recebido o prêmio em Porto Alegre, já que ela e Aline atuam no interior do Estado. Outro que era pura empolgação era Rodrigo Mello, indicado pela primeira vez como melhor ator com a peça “A comédia dos erros”.
Outros vencedores da noite
Figura conhecida do público porto-alegrense nos seus 27 anos de carreira, Lauro Ramalho mais uma vez confirmou seu talento entre a categoria ao receber seu terceiro Açorianos de Teatro, o segundo como melhor ator coadjuvante em “A Comédia dos Erros. “O prêmio é fundamental, afinal são muitos ensaios e pesquisas em um ano de trabalho”, afirmou ele. Das 16 indicações, a peça foi uma das grandes premiada da noite, com cinco estatuetas (espetáculo, direção, ator e atriz coadjuvante e trilha).
Outros vencedores da noite foram “Édipo”, com quatro prêmios (melhor ator, ator coadjuvante, figurino e iluminação). No infantil, se confirmou o favoritismo de “Encantadores de Histórias”, com cinco estatuetas (espetáculo, atriz, figurino, iluminação e produção), seguido por “Jogo da Memória” (direção, ator coadjuvante, cenografia, dramaturgia e júri popular). Já o Prêmio Açorianos de Dança apresentou nove categorias, às quais concorreram 11 espetáculos. Os mais indicados foram “Re-Sintos” (sete indicações), e “Mulheres fortes em corpos frágeis” (cinco indicações). No entanto os prêmios se dissiparam e o primeiro conquistou duas estatuetas (cenografia e produção), e o segundo espetáculo, também duas estatuetas, com o melhor figurino e iluminação. Porém o destaque da noite ficou com as meninas do Tablao com a consagração de melhor espetáculo de dança de 2008, bailarina e Prêmio RBS Cultura através de votação direta do público pela internet. ![]() Aos vencedores, o sorriso. E o troféu, é claro
Homenagens e manisfestações
Alguns empates entre os competidores causaram surpresas, alegrias e certa dose de confusão na leitura do script e dos envelopes com os nomes dos vencedores na cerimônia de entrega do prêmio. E a noite ainda ficou reservada às homenagens especiais, entre elas para a professora Maria Lúcia Raimundo, a “Lucinha”, e o dramaturgo e professor Ivo Bender, com sua obra de marco definitivo e envolto nas paixões humanas e terríveis, sendo considerado um profundo conhecedor do teatro grego.
Também não poderiam faltar os protestos referentes aos cachês simbólicos e a falta de apoio na categoria. Um recado explícito para o secretário municipal da cultura, Sérgius Gonzaga, e o prefeito da cidade, José Fogaça, presentes na cerimônia e responsáveis por anunciar a institucionalização da Usina das Artes. “Precisamos de políticas públicas de cultura duradouras e de projetos consistentes de apoio à montagem e circulação dos espetáculos”, opinou o diretor teatral Dilmar Messias. Aplausos para ele.
Uma história pontuada por reconhecimentos Criado pela Prefeitura de Porto Alegre, o Prêmio Açorianos é um importante referencial da programação artística da cidade. A premiação para o teatro adulto foi instituída na década de 70 pelo decreto nº 5876/77. Em 1979, foi a vez do Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil e, em 1988 houve a alteração do decreto, incluindo a premiação para a dança. Os premiados recebem troféu criado, em 1993, por um dos maiores artistas plásticos do Brasil contemporâneo, o gaúcho Vasco Prado. Editado anualmente pela Secretaria Municipal da Cultura, o Prêmio Açorianos de Teatro e Dança e o Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil homenageiam os artistas locais e constituem a memória dos profissionais das Artes Cênicas. São os únicos na área que destacam os melhores da cidade, e propiciam aos artistas o reconhecimento de seu trabalho e à comunidade gaúcha uma referência da produção de teatro e dança e seus expoentes.
Concorreram todos os espetáculos de teatro, dança e teatro infantil apresentados ao público porto-alegrense durante a temporada anual, independente de inscrição. São três comissões julgadoras constituídas por representantes da comunidade cultural: Os jurados do Prêmio Açorianos de Teatro: Breno Ketzer Saul, Celina Alcântara, Giselle Cecchini e Laura Medina
Os jurados do Prêmio Açorianos de Dança: Débora Leal, Neca Machado, Roger Lerina, Susana França e Tatiana Mielczarski
Os jurados do prêmio Tibicuera de Teatro Infantil: Eliza Pierim, Fábio Prikladnicki, Newton Silva e Sandra Loureiro
Prêmio Açorianos de Teatro 2008 |















