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Por Felipe Sil
Algo inédito no meio teatral. Devido ao avanço da gripe A (H1N1) na Argentina, os teatros daquele país se encontram fechados desde o dia 6 de julho. A ordem partiu do Governo Federal, em conjunto com a associação local de empresários teatrais. A decisão foi tomada após semanas de salas vazias e de muito debate e polêmica na imprensa argentina sobre as medidas oficiais tomadas até então (que não seriam unificadas). A Influenza já causou a morte de 137 pessoas na Argentina (até o fechamento desta edição do JT). "Os teatros privados suspenderam todas as peças teatrais do país, mas não sabemos o que ocorrerá nos teatros estatais", anunciou, em entrevista coletiva, Carlos Rottemberg, presidente da Associação de Empresários Teatrais, que reúne alguns dos maiores nomes do setor teatral. O dinheiro pago anteriormente deve ser devolvido. Para a Argentina, o fechamento de teatros é considerado um desastre no setor econômico cultural. Afinal, julho é um dos melhores meses da atividade, por causa das férias de inverno, mas as projeções dos empresários são de queda de 70% nas vendas de ingressos, comparadas com julho de 2008. A associação também divulga que o surto da gripe no país diminuiu em 80% o número de espectadores nas salas. O avanço da influenza na Argentina também levou à suspensão de outras atividades culturais, educacionais e esportivas, mesmo onde não houve proibições do governo. Ao menos 20 distritos da província de Buenos Aires cancelaram suas atividades públicas e ordenaram o fechamento de bares, danceterias, piscinas, ginásios, bingos, cinemas, teatros e museus. Praticamente estão interrompidas todas as atividades infantis, inclusive as relacionadas às férias de inverno. Outras programações tradicionais neste período no país, como o "Café Cultura Nación", apresentações da Orquestra Nacional Argentina, balés, coral e bandas também estão suspensas. Os cinemas continuam abertos. Há a recomendação, porém, de que os espectadores deixem uma cadeira vazia entre eles, o que é facilitado pela queda de público. Em boa parte do país, as autoridades locais chegaram a adiantar as férias escolares de inverno para conter as transmissões nas salas de aula. Aproximadamente dez milhões de estudantes tiveram o seu descanso estendido para ajudar a evitar que a doença se espalhe. O governo da presidente Cristina Kirchner ainda estuda outras medidas para evitar a propagação da gripe A (H1N1). No comércio varejista, há fortes receios de que a situação na Argentina chegue a um ponto extremo, que levará ao fechamento de todos os lugares públicos. Fato é que vários municípios no interior já cancelaram todas as atividades culturais, sociais e esportivas, além de terem fechado os estabelecimentos comerciais.
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