Satyrianas se consagra como o maior festival de teatro de São Paulo Imprimir E-mail
São Paulo
Postado por Guilherme Gomes   
Qui, 12 de Novembro de 2009 18:23
Contente, o ator revela que, até aquele momento, já havia passado cerca de 12 mil pessoas pelo festival, acotovelando-se nas calçadas e plateias para conferir as 78 horas ininterruptas de atividades artísticas previstas na programação.
Há motivos de sobra para celebrar: o evento acaba de entrar para o calendário oficial do estado de São Paulo, e seus idealizadores, Ivam Cabral e Rodolfo García Vásquez, completam, este ano, as duas décadas da existência da Companhia de Teatro Os Satyros. “Quando chegamos aqui, tínhamos que bancar as Satyrianas com o nosso próprio bolso. Agora, temos uma verba mínima que paga a maior parte das coisas”, comemora García Vásquez.
Consolidada, a festa não mais se restringe à Praça Roosevelt e acaba se estendendo por toda cidade em mais de 30 casas de espetáculo, fora as tendas erguidas especialmente para o evento. Música, dança, circo, cinema, artes plásticas e debates literários dividiram a atenção do público na maratona cultural, o que confirma a opinião de Ivam Cabral quanto ao propósito da festa: “Nós não podemos nos fechar no teatro e temos que nos abrir para receber todas as diferentes manifestações artísticas.”
Além das variadas atrações, o festival atraiu público para as salas de teatro cobrando preços simbólicos pelas apresentações. Nas tendas, os espetáculos eram gratuitos. O DramaMix, sucesso de público na edição do ano passado, voltou à programação das Satyrianas com textos curtos escritos pelos mais variados autores, em apresentações que eram realizadas de hora em hora. Perto dali, os Parlapatões montaram uma lona para apresentação de números circenses que foram responsáveis pelas maiores filas do festival.
Outra grande novidade dessa edição, o VisuMix, foi um espaço exclusivo para as artes visuais, e reuniu gente como Aguillar e Helena Ignez em performances marcantes. Mas o carro-chefe do evento ainda é o teatro. Houve quem ficasse de fora das peças lotadas nos espaços dos Satyros 1 e 2, e dos Parlapatões.

Teatro para a cidade
“No fundo, a essência do nosso trabalho sempre foi urbana, sempre quisemos trazer o povo para ocupar as ruas”, aponta Ivam Cabral, garantindo que, mesmo com o número alto de pessoas na festa, nenhuma ocorrência policial havia sido registrada.
Inusitado é perceber que esse índice contrasta com o histórico da própria Praça Roosevelt, que passou de lugar extremamente degradado e com altos registros de violência para a sede do teatro alternativo em São Paulo. Hoje, as mesas dos bares e as salas de teatro estão geralmente lotadas e a alta circulação de pessoas afugentou a criminalidade.
As Satyrianas são apenas uma das frentes na proposta que a companhia teatral tem para a cidade. Ivam Cabral não esconde a satisfação com a nova escola de teatro que será inaugurada e que contará com apoio governamental para distribuir bolsas de estudos entre os alunos. Além disso, a praça Roosevelt passará por uma grande reforma nos próximos meses para que possa atender melhor à sua nova configuração como meca do teatro paulistano.

Homenagem merecida

A atriz Cleyde Yáconis chega aos 60 anos de carreira com homenagens de dois teatros



Completando 86 anos de vida este mês, a atriz Cleyde Yáconis teve dois teatros de São Paulo interessados em homenagear e celebrar seus 60 anos de carreira. Os espaços, um na Zona Sul e outro na Zona Leste da cidade, disputaram o nome da artista para batizá-los. O antigo Teatro Cosipa Cultura, localizado na região do Jabaquara, ganhou a disputa e passou a ser chamado de Teatro Cleyde Yáconis em setembro deste ano, pouco depois de completar um ano de atividade.
“Essa história com o outro teatro foi um mal-entendido, o administrador disse que seria apenas uma sala dentro de uma universidade e por isso a Cleyde aceitou. Quando ela percebeu que seria outro teatro, ela desistiu, pois já havia falado conosco”, explica o gestor do novo Teatro Cleyde Yáconis, Fernando Cardoso.
A ideia de dar o nome da atriz ao teatro partiu de Cardoso e de seu sócio, Roberto Monteiro. “O teatro se chamava Cosipa e a marca foi absorvida pela Usiminas, patrocinador do espaço, então o nome teria que mudar de qualquer forma. São vários os motivos que nos fizeram escolher a Cleyde: ela foi a primeira atriz a se apresentar no teatro, morou no bairro por bastante tempo e tem uma carreira teatral irretocável, é a maior atriz brasileira viva”, elogia Cardoso.
Quando estreou, a primeira peça do Cosipa Cultura tinha a atriz homenageada como protagonista. A reinauguração deu aos espectadores a oportunidade de conferir de novo o talento de Yáconis no espetáculo “O Caminho para Meca”, junto com os atores Patrícia Gaspar e Cacá Amaral, com direção de Yara de Novaes. O texto do dramaturgo sul africano Athol Fugard deu à experiente atriz o papel de Helen Martins, personagem inspirada na artista Helen Elizabeth Martins. Através do encontro entre os três personagens, se estabelece uma discussão sobre a vida, a solidão, a amizade e confiança.
Os últimos papéis de Yáconis traziam mulheres igualmente densas aos palcos, como Karen Blixen, que inspirou “As Filhas de Lúcifer”, de William Luce, a viciada em morfina Mary Tyrone, de “Longa Jornada de um Dia Noite Adentro” e a filósofa Simone Du Beauvoir em “Cerimônia do Adeus”. 

Estrutura
O Teatro Cleyde Yáconis estreou com o nome Teatro Cosipa Cultura no dia 17 de março de 2008 e trouxe à capital paulista mais uma opção de espaço teatral, com acesso pelo metrô e arquitetura contemporânea. Com capacidade para 288 pessoas, o teatro tem formato italiano, dois camarins individuais e um palco que conta com nove metros de proscênio, urdimento de 6,60mX11,00m e boca de cena com quatro metros de altura e nove de largura.

Em cartaz
O gestor do teatro, Fernando Cardoso, afirma que as peças apresentadas não privilegiam um gênero teatral específico e os espetáculos também dão espaço para apresentações musicais. “Nós observamos a qualidade do projeto, não temos preconceito quanto a formato, se forem bem produzidos. Temos uma preferência por peças inéditas, mas em geral aprovamos uma peça pela equipe envolvida em um nível alto de produção”.
Segue até o final de novembro a peça “7 conto – A comédia”, com o ator Luiz Miranda e direção de Ingrid Guimarães. Em dezembro, um show de natal será realizado com músicas brasileiras e apresentação da cantora Vanderléia.

Serviço:
Teatro Cleyde Yáconis – Avenida do Café, 277, Jabaquara
Telefone: (11) 5070-7018
http://www.teatrocleydeyaconis.art.br