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Por Revista Bacante* “Porra, será que o Próximo Ato cabe num jornal?” Foi a dúvida de que partimos para escrever esse artigo. Nós, da Bacante, acompanhamos o encontro internacional de 2009 do programa Próximo Ato, promovido pelo Itaú Cultural, que aconteceu de 3 a 7 de novembro de 2009. Essa experiência passou longe de ser uma cobertura jornalística: queríamos estar lá como participantes, com a mesma intenção e expectativa que os grupos tinham de vivenciar um ambiente de trocas de experiências e discussão de questões polêmicas entre coletivos. E estávamos muito abertos a essa troca, já que, cada vez mais, assumimos a Revista Bacante como um coletivo de reflexão sobre o teatro, permanentemente aberto e disposto, sobretudo, a aproveitar o potencial da internet para ampliar as possibilidades e a diversidade da discussão.
Como alertou a gerente do núcleo Cênicas do Itaú Cultural, Sônia Sobral, não devemos nos iludir acreditando que estava ali “todo o teatro brasileiro”. Não estava. Mas estavam pelo menos dois representantes de grupos de cada um dos 26 Estados do país e do Distrito Federal, o que, de alguma forma, já nos deixa mais próximos da diversidade de sotaques, posturas, demandas. Nos primeiros dias, os representantes participaram de uma experiência com a performer Eleoora Fabião, em que foi possível trocar a experiência não só do discurso, mas a da prática e buscar uma interação que independia das palavras. Na noite de quinta-feira, como celebração do encontro, os grupos fizeram uma performance no vão livre do MASP, à meia-noite. Claro, para si mesmos, já que não havia pedestres para desfrutar o momento junto aos artistas naquele horário, ainda mais com o azar de uma chuva repentina. A experiência performática voltada ao próprio umbigo, ou seja, sem reverberar nem interferir na cidade que a abrigou, sugere o significado desses primeiros dias de encontro: o contato e conhecimento entre os grupos e restrito a eles. Além disso, mostra uma dificuldade deste movimento que ainda engatinha: com tamanha diversidade de pensamento e de demandas, como estabelecer uma pauta, uma bandeira, uma demanda, uma força comum que dê sentido a essa união, a esse e aos próximos encontros?
Dos Espaços Abertos saíram relatos que serão publicados no blog do Próximo Ato; da Plenária, resultou um documento que está sendo finalizado para ser levado a público e compartilhado com as Conferências de Cultura. E, para além disso, ambos tiveram como resultado impalpável a possibilidade de vislumbrar nos grupos o amadurecimento político e de reflexão sobre o fazer artístico. Tal evolução aponta para caminhos realmente conectados com a coletividade e em direção à participação efetiva na construção de políticas públicas e no cenário artístico do país. Então, quem sabe um dia possamos nos dar a liberdade de discutir estética ou mesmo a base dos nossos conceitos de cultura e arte. Por enquanto, nesse momento histórico, ainda estávamos discutindo sobrevivência. E fica claro que sobreviver em movimento e em grupo parece bem mais possível.
*A Bacante é um coletivo aberto de crítica teatral que pode ser encontrado somente na internet. Se quiser conhecer mais, acesse: |
















