Linguística curitibana dá receita de comida e vocabulário

Linguística curitibana dá receita de comida e vocabulário


Por Rubens Barizon
Do Jornal de Teatro, RJ

 

Em meio às conversas corriqueiras com o pessoal curitibano, os hábitos locais se desvendaram e o caminho para retratar os costumes da cidade, sede do Festival de Teatro, chegou até a linguagem e comida.

Começamos para uma pergunta contextual. “- Você está gostando do Festival de Curitiba?”, – Está muito bom, responderia qualquer outra pessoa, não fosse um curitibano jovem que diria ao invés: Tesão Pia! Com o som do “e” prolongado. – E aquela peça que foi uma decepção? O espectador de fora de Curitiba classificaria: “muito ruim”; já o curitibano com as características já descritas acima, falaria: “lazarenta, gostei não”. Piá é com quem se fala. Uma variação de guri no linguajar popular da região. Vocês que leem o texto agora, seriam piás queridos interessados por arte cênica.

Depois de assistir aquela peça no Teatro Guairão bateu uma vontade de comer alguma coisa: “– Onde está a barraquinha de cachorro quente de salsicha com aquele purê de batata dentro”, procura um paulista nesta ocasião. Já o curitibano pediria na mosca um belo hot dog de vina. Salsicha por aqui é conhecida por vina. “- É? Então tá, né”.

 

Tem um impasse político social aqui em Curitiba, que é a construção do metrô na cidade. Uns querem, outros alegam que acabaria com a naturalidade verde do ambiente e destruiria tudo. Foi criado um mito bem humorado para o assunto. Daí quando dois curitibanos estão conversando e o que é a favor da construção jura que o projeto foi aprovado e a construção vai começar em breve, a oposição do outro se manifesta com um “dolangue”, uma gíria um tanto marginal que significa mentira, não vai não.

 

 Quando entramos na cozinha típica, alguns pratos tradicionais não podem deixar de ser lembrados. Calma piá é só um dolangue não vou começar a copiar e colar receitas da terra que muda de temperatura da água para vinho (aproveitando a proximidade da páscoa). Vai ser bem mais interativo. Os pratos mais exóticos, sabidos nos bate papos de comunicador, foram esses: Sopa de pinhão, uma raiz típica que lembra um leguminoso; Barreado, carne cozida, com arroz, farinha de mandioca e banana; tem uma tal de carne de onça também, parece que é crua. Para salvar o paladar do turista e tornar o papo tesão piá vai o tradicional Costelão na brasa mesmo, típico por aqui também. Escutei a história que tem alguns donos de restaurantes que servem costela e patrocinam o teatro. – Pronto! Resolvido. Teve uma peça no Risorama (standup comedy do Festival) que se chamava “Tesão Piá” e comunicava todas essas gírias para a plateia. Os atores eram Cadu Scheffer e Fagner Zadra.
 

Depois dessa atualização linguística é melhor eu parar por aqui, senão na hora do almoço de amanhã, ao invés da picanha na pedra, vou pedir carne de onça.

 

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