Instituto Itaú Cultural investe em pesquisa e mapeamento

Instituto Itaú Cultural investe em pesquisa e mapeamento

Ive Andrade / JT

Criado há 22 anos, o Instituto Itaú Cultural busca encorajar ações ligadas à cultura brasileira. Com sede construída em São Paulo nos anos 90, mas ativo em programas distribuídos em todo País, os investimentos em pesquisa e mapeamento se destacam dentro da instituição que guarda espaço para diversas áreas como música, arte, cinema, dança e teatro. Os dois últimos fazem parte de um núcleo específico chamado “Cênicas”, criado oito anos atrás.

Diferentemente do que muitos possam pensar, o espaço dedicado às artes teatrais dentro da sede não pretende estrear peças para mantê-las em cartaz durante longos períodos de tempo. A gerente do núcleo “Cênicas”, Sônia Sobral, explica que a verba dos programas do instituto tem caráter nacional e por isso lançar peças não é a prioridade. “O que temos na sede da avenida Paulista é um teatro com capacidade para 250 pessoas, que dividimos com todas as outras áreas da instituição. Nossa missão é, na realidade, organizar e difundir informações sobre o teatro brasileiro, articulando relações nacionalmente”.

As peças apresentadas não ficam em cartaz por muito tempo, geralmente funcionam como uma forma de divulgação e incentivo para outros programas. “Não somos um teatro de pauta. Tudo que é apresentado precisa estar ligado a um projeto maior e isso nos faz diferente de qualquer outro espaço da cidade”, completa Sônia.

São dois grandes programas que guiam o seguimento teatral do “Cênicas” na maioria de suas ações: a Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro e o Próximo Ato – Encontro Internacional de Teatro. Ambos abrangem a visão nacional do instituto e são trabalhos constantes para o núcleo de teatro e dança.

 

 

 

Verbetes on-line

Uma das ações mais importantes do Instituto Itaú Cultural é a Enciclopédia. São cinco delas que reúnem verbetes de diversas formas de expressão artística, como artes visuais, literatura e teatro. Todas são obras on-line, disponíveis gratuitamente no site da instituição (www.itaucultural.com.br) e são constantemente atualizadas sobre artistas, conceitos e obras.

Além do acesso às enciclopédias, o site da instituição guarda o maior acervo de artes visuais do Brasil, com quase 30 mil imagens na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais e 3,3 mil verbetes entre todas as enciclopédias.

A Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro é uma das mais antigas do instituto, lançada em 2004, com os conselheiros Johana Albuquerque, João Roberto Farias e Fatima Saadi. No início, apenas São Paulo e Rio de Janeiro estavam incluídos nos resultados. Hoje, as referências da enciclopédia se expandiram geograficamente e incluem obras, artistas, diretores, grupos, espetáculos, cenógrafos, autores e conceitos de Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul em seus quase 800 verbetes, imagens e maquetes. “É um trabalho contínuo, diário, com as atualizações no nosso acervo digital. Fazemos um lançamento dos novos verbetes por ano. Os dois últimos tiveram peças que ficaram em cartaz durante duas semanas, com grande sucesso”, explica Sônia Sobral.

As últimas peças apresentadas na sede da instituição em São Paulo aconteceram justamente para lançar os novos verbetes da enciclopédia. Em 2008, a companhia Os Satyros encenaram “Vestido de Noiva”, do nordestino Nelson Rodrigues, com Norma Bengell.

Em fevereiro desse ano, para promover a presença dos mineiros, pernambucanos e gaúchos na enciclopédia, peças que faziam referência a Nelson Rodrigues e Gilberto Freire e ao autor gaúcho Qorpo Santo foram apresentados pelos grupos Os Fofos Encenam e Giramundo, respectivamente.

O processo de criação da peça “Memória da Cana”, baseado em textos de Rodrigues e Freire, e “As Relações Naturais”, texto de Qorpo Santo, montado em um espetáculo de bonecos dos mineiros do Giramundo, foram sucesso de público e deram visibilidade aos novos verbetes da enciclopédia, apesar de terem permanecido apenas duas semanas “em cartaz”.

Foco Nacional

Buscando descentralizar a produção cultural no Brasil, o Instituto Itaú Cultural criou há 12 anos o programa Rumos. É uma iniciativa que pretende financiar, desenvolver e identificar os trabalhos artísticos de diversas áreas como cinema, educação, jornalismo cultural, literatura, música e dança.

Já são mais de 700 projetos apoiados e mais de 18 mil trabalhos inscritos. Todo o conteúdo produzido e financiado pelo Rumos é distribuído gratuitamente para emissoras de televisão e outras instituições.
Apesar do cenário teatral não ter ainda um programa particular no Rumos, Sônia Sobral afirma que “o programa ‘Próximo Ato – Encontro Internacional de Teatro’ caminha para se tornar um Rumos em breve, já que começa a ser um encontro de caráter nacional, em todas as regiões do País”.

Longe do mainstream

O “Próximo Ato – Encontro Internacional de Teatro” chega a sua sétima edição neste ano. As reuniões de três dias que incluem palestras, seminários e fóruns de discussão já foram registradas no Sul, Sudeste e Nordeste do País. São espaços para trocar experiências entre os profissionais da área, articulando o teatro de grupo no Brasil. “Já discutimos muito aqui o que seriam esses teatros de grupo brasileiros convidados a participar do programa. O que buscamos é articular relações com os grupos engajados, investigativos, teatros de pesquisa mesmo. Não são encontros direcionados para o mainstream ou companhias grandes”, explica a gerente do núcleo “Cênicas”.

Até o final do ano, o “Próximo Ato” terá reunido grupos teatrais em todas as regiões do Brasil, com a ajuda de coordenadores em cada uma delas que pesquisam e mapeiam os possíveis participantes para depois fazer o convite e organizar o encontro, os conselheiros são Antônio Araújo, José Fernando Azevedo e Maria Tendlau. “Uma equipe grande trabalha conosco para que nenhuma região fique sem representação”, garante Sobral. “Durante os encontros, como são muitas pessoas no mesmo espaço, usamos técnicas de comunicação para grupos grandes (open space)”.

Os encontros de troca de experiências acontecem ainda em 2009 em três capitais brasileiras. Brasília, representante da região Centro-Oeste, e Belém, representando os Estados do Norte, recebem pela primeira vez a reunião de palestras e seminários em agosto e setembro, respectivamente. Em novembro, a capital paulista hospeda o encontro de todos os grupos convidados do País para um grande encontro nacional. “É uma oportunidade para trocar experiências entre grupos grandes que trabalham com o teatro”, finaliza Sônia Sobral.

 

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