Intercâmbio cultural no 16º Floripa Teatro

Intercâmbio cultural no 16º Floripa Teatro

Por Adoniran Peres

Levar as artes cênicas para vários pontos culturais e alternativos de Florianópolis, além de fazer da cidade um espaço de intercâmbio entre os grupos teatrais brasileiros. Estas são as metas do 16º Floripa Teatro (Festival Isnard Azevedo), no qual companhias de teatro de todo o Brasil, selecionadas para apresentar os espetáculos, ministrarão 30 oficinas gratuitas pelo segundo ano consecutivo. No evento, que teve início dia 11 e segue até dia 23 de agosto, cerca de 300 alunos terão a oportunidade de contemplar vários pontos de interesse na formação de atores, técnicos, produtores e diretores.

“Mais que contribuir para o aperfeiçoamento dos profissionais da área, os participantes terão a oportunidade de desvendar aspectos, técnicas e processos de tarefas de grupos que trabalham com diferentes linguagens”, explica Sulanger Bavaresco, coordenadora do Floripa Teatro, acrescentando que só o fato de as oficinas serem ministradas pelos próprios grupos já se constitui em um valioso momento de intercâmbio entre eles e as pessoas que pertencem à área teatral da cidade.

Recorde de espetáculos
Este ano, o Floripa Teatro selecionou 30 espetáculos, de sete estados brasileiros, que farão 138 apresentações durante 13 dias. O evento recebeu 242 inscrições de diversas regiões do Brasil – um recorde em relação às edições anteriores. Além desses, duas companhias teatrais foram convidadas para fazer a abertura e encerramento do festival: a Cia. Leões de Circo Pequenos, do Rio de Janeiro, com “A Descoberta das Américas”; e a Companhia do Latão em São Paulo, com a peça “Comédia do Trabalho”.

O evento conta com 13 peças para o público adulto, seis para o infantil e 13 de rua e circo-teatro, procedentes dos Estados de São Paulo (20), do Rio de Janeiro (cinco), de Santa Catarina (dois), do Paraná (dois), de Goiás (um), de Minas Gerais (um) e do Rio Grande do Sul (um). Ao todo, 193 artistas participarão do evento, em Florianópolis, e contribuirão para fazer a maior grade de programação da história do festival.
Além de hospedagem e alimentação, todos os grupos recebem ajuda de custo. Os que se apresentam pela primeira vez no festival recebem R$ 2.000, enquanto os que estão pela segunda vez ficam com R$ 1.000. “Entre os inscritos, escolhemos os melhores do País, independentemente do Estado”, destaca Sulanger. 

História de sucesso
Desde sua criação, em 1993, o Floripa Teatro escreve uma trajetória de sucesso. Sulanger Bavaresco, após se formar no curso de artes cênicas, pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), apresentou o projeto do evento para os órgãos públicos do Estado e do Município. “Tudo foi elaborado de forma despretensiosa, mas, já na primeira edição, foi um grande sucesso. Enviamos os convites para as prefeituras de várias cidades brasileiras e logo recebemos várias inscrições. Naquela época, o sucesso foi tão grande –  tanto de inscritos quanto de público –, que a mídia chegou a batizar o festival como o maior evento de Santa Catarina, comparando o Floripa Teatro com a Oktoberfest, um grande evento conhecido nacionalmente”, conta a idealizadora do evento.

Democratização da cultura
Entre as novidades em 2009, o festival ampliou o número de espaços para a apresentação dos espetáculos. Além dos teatros, passam a integrar o evento mais espaços culturais alternativos, apresentações ao ar livre em praças da cidade e em lonas instaladas em algumas comunidades na Ilha e na região continental. Todas as peças de rua apresentadas durante o Floripa Teatro são gratuitas e abertas ao público. As peças infantis também têm entrada franca, com distribuição de ingressos a grupos de alunos de escolas públicas previamente agendadas.
Já nas peças de conteúdo adulto, as entradas variam entre R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia) para estudantes e idosos acima de 60 anos. De acordo com a organização do evento, essa ampliação da infraestrutura e da grade de programação, incluindo mais espetáculos gratuitos em diferentes regiões da cidade, faz parte da política da FCFFC (Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes) de investir na democratização do acesso da população aos bens culturais.

Vasta programação
Durante os 13 dias do 16º Floripa Teatro, além dos espetáculos haverá uma agenda paralela de eventos, com oficinas gratuitas ministradas pelos participantes, lançamento de revista, encontro de teatro de rua e palestras, entre outras atividades. As dificuldades e avanços do teatro brasileiro e os desafios para a consolidação e reconhecimento dessa arte são assuntos em pauta na palestra “Panorama do Teatro Brasileiro Contemporâneo”, que será ministrada pelo ator Ney Piacentini. O evento, aberto ao público, será realizado no Teatro Álvaro de Carvalho, dia 22 , véspera do encerramento do festival.

Entre outras atrações do Floripa Teatro, haverá o lançamento do “Almanaque Off-Sina”. A publicação reúne o pensamento, as ações e os projetos do Grupo Off-Sina em 21 anos de atividade teatral. O material inclui a síntese e a concepção dos espetáculos produzidos pela trupe, criada em 1987, além de ações e projetos, entre eles oficinas, metodologia e textos sobre teatro de rua e circo-teatro.

O material, que será distribuído gratuitamente aos participantes do festival, aborda a natureza sensível do teatro, como arte que transita entre o lúdico, o poético e o político. Ainda durante o evento, a capital catarinense sediará o 2º Encontro de Articuladores de Teatro de Rua da Região Sul, no dia 19 de agosto. O evento tem como objetivo o fortalecimento das ações da RBTR (Rede Brasileira de Teatro de Rua) no Sul e a discussão de propostas a serem levadas ao encontro nacional da organização, que acontecerá em novembro, no Acre.

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