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Novo ano, novo palco Imprimir E-mail
Editorial
Postado por Guilherme Gomes   
Qua, 06 de Janeiro de 2010 17:10
É quase desnecessário descrever a importância do ano que se encerra para nós do Jornal de Teatro. Um projeto que surgiu há três anos e foi crescendo com o respeito e responsabilidade que exige, hoje pode-se considerar satisfeito de ter dado um primeiro passo para a união do pensamento teatral brasileiro. Sempre quisemos descentralizar as pautas de teatro, apresentar as iniciativas de sucesso de diferentes regiões e dar voz a estes artistas que tem nos palcos o ofício e o prazer da representação. Cientes de que há muito para melhorar, fazemos um balanço extremamente positivo do nosso primeiro ano, não com discurso arrogante de quem se considera mais do que realmente é, mas com a humildade de reconhecer que contamos com a brilhante parceria e respeito de pessoas essenciais para que mais uma edição pudesse ser distribuída com a mesma paixão e dedicação inicial.

Agradecemos aos vários encontros que aconteceram até aqui, colaboradores que aceitaram de peito aberto investir nessa ideia; artistas que dividiram seu tempo, seus métodos e méritos nas entrevistas para as matérias; repórteres que conduziram o pensamento de forma direta e objetiva para que a arte se torne cada vez mais próxima; equipe administrativa da Aver Editora que teve paciência e compreensão de que “no teatro tudo é um pouco diferente” – como ouvimos algumas vezes. Sim, realmente estavam certos. É raro ver algum artista envolvido em uma produção não defender o seu trabalho como se fosse inovador e um marco para a história do país, pois de fato é para aquele momento: em uma boa representação a emoção não é só retratada, é sentida.

Certa vez ouvi que a idade real de um ator é muito difícil de ser avaliada. Ao se entregar a uma história, ele incorpora parte das emoções vividas à sua própria e assim, ao contrário dos não artistas, vai somando personalidade e experiências que o fazem amadurecer mais cedo. Completo essa afirmação pensando que personagens doces ou infantis, equilibram a essência do intérprete e essa maturidade acontece sem deixar de lado a inocência e a poesia.

Não foi à toa que escolhemos como tema da nossa reportagem os palhaços. Além de ser o mês onde se comemora o dia atribuído à eles, quisemos trazer um suspiro de alegria para o final deste ano. Atrapalhados, rabugentos, constrangedores, apaixonados – independente do papel exercido por este personagem milenar, ele tem acesso fácil em todos os locais, pois toca diretamente à inocência que todos já tem ou já tiveram um dia. Aliás, iniciou-se uma campanha para que parem de se usar os narizes vermelhos em protestos políticos ou manifestações de desagrado. Ser feito de palhaço – no real sentido – é algo que com certeza não passou pela cabeça de certos líderes, ou aprenderiam a rir mais de si mesmos e a respeitar a beleza existente em cada um.

E que os próximos anos sejam espetaculares, de novos encontros e criações. Estaremos atentos para registrar e aplaudir os companheiros de jornada.

Esta edição é dedicada a todos que estiveram conosco durante este ano e que, com certeza – e assim como nós - esperam a recuperação do dramaturgo Mario Bortolotto.

Rodrigoh Bueno
Editor do Jornal de Teatro