Festlip promove intercâmbio cultural entre países lusófonos

Festlip promove intercâmbio cultural entre países lusófonos

Por Daniel Pinton

Se por um lado a aplicação do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa trouxe a equiparação da escrita entre os países colonizados por Portugal, a segunda edição da Festlip (Festival de Teatro da Língua Portuguesa), ocorrida de entre os dias 2 e 12 de julho, no Rio de Janeiro, celebrou as diferenças culturais entre Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal. Além de 11 espetáculos teatrais, abertos ao público, encenados por grupos destes países no Espaço Sesc, no Sesc Tijuca e no Teatro Sesc Ginástico, eventos temáticos foram promovidos pela cidade em busca de maior intercâmbio de informações entre os representantes da língua lusófona.
“Um dos objetivos do festival é justamente tornar possível este diálogo entre as linguagens de trabalho em diferentes culturas, de tornar viável um encontro de irmãos de língua para uma comunicação sem fronteiras. Se a unificação do idioma é uma questão complexa, a unificação pelo teatro também é, mas tem se tornado realidade. Através das artes cênicas, pode-se refletir sobre esta questão. A ideia é, inclusive, criar um banco de dados com os atores de língua portuguesa e, no futuro, dar origem a uma cooperativa de profissionais de teatro”, projeta Tânia Pires, idealizadora e produtora do Festlip.
O movimento artístico do festival, no entanto, não ficou restrito apenas aos palcos teatrais. No dia 4 de julho, o Estrela da Lapa recebeu o Festlipshow, uma série de apresentações musicais com artistas lusófonos como Fidjus e Mario Lucio, de Cabo Verde; Abel Duerê, de Angola; DJ Falcão e Bongar – Coco da Xambá, do Brasil. A gastronomia dos países também se fez presente desde a abertura do festival e pode ser conferida até o dia 31 de julho, durante a Mostra Gourmet – O Sabor da Língua Portuguesa, no Restaurante 00 Cozinha Contemporânea, na Gávea (anexo ao Planetário).
“Ainda existe, no Brasil, o não despertar para o conhecimento e consumo das culturas dos nossos irmãos de língua. Enquanto isso, a cultura brasileira adentra sem grandes dificuldades e permeada de aplausos em todos os países da língua lusófona. Na primeira edição do Festlip, ficou claro que a unificação da língua falada é algo intangível. A peculiaridade das expressões e vocabulários é a referência mais forte de um povo. Essa distância só tem um caminho a ser quebrada, através do intercâmbio cultural entre esses países”, justifica Tânia.
Nesta edição do festival, o homenageado e ganhador do Troféu Festlip – 2009 foi o premiado escritor e dramaturgo moçambicano Mia Couto, protagonista de expressiva contribuição e aprimoramento do teatro em seu país. O prêmio revelação ficou com o grupo português Artistas Unidos pela peça “Uma Solidão Demasiado Ruidosa”.


Espetáculos encenados

De Angola:
– Grupo Elinga Teatro
Espetáculo “Kimpa Vita: A Profetiza Ardente” – texto e direção de José Mena Abrantes
– Grupo Horizonte Nzinga Bandi
Espetáculo “Sobreviver no Tarrafal” – texto de Antônio Jacinto e direção de Adelino Caracol

Do Brasil:
– Cia. Luna Lunera (Belo Horizonte-MG)
Espetáculo “Cortiços” – concepção da Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro e direção de Tuca Pinheiro
– Cia. de Teatro Antroexposto (São Paulo-SP)
Espetáculo “Complexo Sistema de Enfraquecimento as Sensibilidade” – texto e direção de Ruy Filho

De Cabo Verde:
– Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo
Espetáculo “No Inferno” – texto e direção de João Branco
– Companhia de Teatro Solaris
Espetáculo “Psycho” – texto de Valódia Monteiro e direção de Herlandson Lima Duarte

De Guiné Bissau:
– Grupo Teatro do Oprimido – Bissau GTO
Espetáculo “Nó Mama – Frutos da Mesma Árvore”

De Moçambique:
– Grupo M’BEU
Espetáculo “O Homem Ideal” – texto e direção de Evaristo Abreu
– Grupo Tijac
Espetáculo “Mar Me Quer” – texto de Mia Couto e direção de Mickael Fontaine

De Portugal:
– Companhia Teatral Primeiros Sintomas
Espetáculo “Lindos Dias” – texto de Miguel Castro Caldas e direção de Bruno Bravo
– Companhia Teatral Artistas Unidos
Espetáculo “Uma Solidão Demasiado Ruidosa” – texto de Bohimil Hrabal e direção de Antônio Simão

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