Em defesa do balé clássico

Em defesa do balé clássico

Companhia Brasileira de Ballet percorre o País e o mundo divulgando a dança brasileira

Por Douglas de Barros

A CBB (Companhia Brasileira de Ballet) surgiu de uma história de amor. Precisamente em 1967, quando o industrial Paulo Ferraz montou o grupo para a sua esposa, a bailarina Regina Ferraz. Formado na sua maioria por bailarinos do Theatro Municipal do Rio de janeiro, estreou no Teatro Novo (antigo Teatro da República, hoje sede da TV Brasil – RJ), mas encerrou tragicamente suas atividades dois anos depois, quando Ferraz cometeu suicídio devido a problemas políticos e financeiros.
Em 2001, através de um pedido feito por Emílio Martins, coordenador da Funarte, à Regina Ferraz, o nome da companhia foi cedido ao professor e diretor artístico Jorge Teixeira, em reconhecimento à sua luta a favor da divulgação do balé clássico. Há 20 anos na dança, Jorge explica que o objetivo da CBB é resgatar o interesse dos bailarinos e do público pela sua arte. Este ano, o grupo já fez cinco grandes espetáculos.
“Recentemente, em Ourinhos (SP), três mil pessoas acompanharam em praça pública a encenação do clássico ‘Gisele’. Nos apresentamos também na Feira da Sapatilha, em Joinville (SC), e cada vez mais o público nos cobra a presença. É uma característica nossa levar o balé para o interior do Brasil”, revela Teixeira.

Apresentações recentes
Pela primeira vez a CBB conta com o apoio de uma grande produtora. A Dell’art organizou a duas últimas apresentações, em um lotado Teatro João Caetano, nos dias 18 e 19 de agosto, e está à frente, também, das três apresentações de setembro (dias 11, 12 e 13), no Teatro Carlos Gomes, ambos no Rio de Janeiro. No João Caetano, foram convidados os bailarinos Juan Pablo Ledo (1º Bailarino do Teatro Colón, da Argentina) e Daniel Camargo (Bailarino do Stuttgart Ballet, da Alemanha), que participaram de “Gisele”. Já no Teatro Carlos Gomes, o grupo vai encenar “Todos os Caminhos”, uma coreografia tríplice, voltada para a dança contemporânea. “Esse novo espetáculo foge um pouco da nossa linguagem. Vamos apresentar um trabalho contemporâneo, mas em pontas, já que o clássico não poderia deixar de estar presente”, afirma.
Teixeira revela, ainda, que o grupo recebeu um convite para representar o Brasil no Fórum de Dança de Mônaco, em 2010. “Abriremos a noite com um ensaio aberto do que vamos apresentar em Monte Carlo. Em seguida, mostraremos as coreografias de ‘Entre os dedos’ e ‘Todos os caminhos’, com participação do pianista Vítor Araújo, que tem 19 anos e é uma revelação da música erudita no Brasil” explica.

Caça talentos
A busca por novos bailarinos acontece no Conservatório Brasileiro de Dança e através da ONG Projeto Ciranda, que atua em comunidades carentes e já descobriu talentos não só no Brasil, mas em toda a América do Sul. Uma bailarina começa a dar seus primeiros saltos a partir dos 7 anos, com 14 começa a estagiar na companhia e, aos 16, passa a integrar oficialmente o grupo, que conta, hoje, com 42 membros. Já entre os meninos, é comum o adolescente ingressar somente aos 13 ou 14 anos, devido, muitas vezes, ao preconceito dos familiares.
Jorge Teixeira, que é formado em belas artes, explica que só começou a trabalhar com dança aos 25 anos. “Me especializei em dar aulas e vi que estava no caminho certo, que era isso que eu queria”, avalia Jorge, que revela quais são as condições básicas para quem sonha com um futuro no balé. “Vocação é o que conta. A pessoa precisa ser determinada e ter força de vontade, além de um jogo de cintura muito grande”, aconselha.

Contatos
Disque Dell’Arte: (21) 3235-8545 / 2568-8742
Cia Brasileira de Ballet: (21) 2568-1988 / 2568-6230 www.ciabrasileiraballet.kit.net / www.conservatoriadanca.com.br
Rua Santo Afonso, nº 153, Tijuca – Rio de Janeiro

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