Ao observar as 11 edições passadas do Jornal de Teatro, percebemos o pouco espaço que demos para o teatro infantil. Não há nenhum motivo especial para isso, mas, simplesmente, o assunto passava pelas reuniões de pauta. E por quê? Será que não se ouve falar de teatro infantil nos demais meios de comunicação e nas mesas de discussão pelo mesmo motivo, por que “passa batido”? Sem justificativas, resolvemos dedicar grande parte desta edição (que não por acaso circula durante o Dia das Crianças) para os profissionais que talvez mais se dediquem a formações de público, à construção de pensamento teatral e ao primeiro contato de multidões com o palco. Sim, multidões – sem medo de exagerar -, pois, em uma pequena amostragem que fizemos, percebemos que o primeiro contato com a atividade dramática de grande parte das pessoas que nos cercam foi durante o período escolar, nas famosas excursões ao teatro. Mesmo que o hábito não tenha sido mantido fora da escola, a impressão inicial vem dali – e talvez a motivação para seguir uma carreira. Dentre os profissionais de teatro infantil com que conversamos, muitos concordam que a escolha de viver da arte veio deste período e que há falta de valorização dos espetáculos porque muitas produções não representam muito bem a classe. Peço licença para dividir uma história pessoal, retomada sempre que minha família conta as situações bizarras da infância de cada um. Com quatro ou cinco anos, meus pais me levaram ao teatro, e interessado, sentei nas primeiras filas de uma casa lotada. No palco surgiram príncipes, princesas, fadas – mas eu não estava preparado para o bruxo - e, quando ele surgiu, saí correndo desesperado por todo o teatro. Entre risos de toda plateia e principalmente dos meus pais, tiveram que me explicar que nada daquilo era real. Este deve ter sido o meu primeiro contato com o teatro e, com certeza, se confunde com o de grande parte dos leitores. As mães ainda contam histórias para as crianças antes de dormir? Minha geração ainda teve isso e contávamos também com a poesia dos circos de final de semana e de pessoas como Bia Bedran na televisão. O que considero mais interessante nos espetáculos infantis, assim como na contação de histórias, lendas, fábulas e até nos melodramas circenses, é que o final dos mocinhos nem sempre é feliz. Qual a realidade dos artistas do teatro infantil? Suas histórias de vida, como as que interpretam, nem sempre têm final feliz? Acompanhe nas próximas páginas do Jornal de Teatro o depoimento de alguns destes artistas que vencem a desvalorização e conquistam as crianças de todas as idades.
Rodrigoh Bueno Editor do Jornal de Teatro
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