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Luz vermelha que acendeu tarde Imprimir E-mail
Editorial
Postado por Danilo Braga   
Sex, 08 de Maio de 2009 16:08

 É lamentável que uma das maiores redes do país esteja enfrentando este colapso. É um reflexo claro do que foi a lamentável mistura do público e privado ocorrida na gestão do prefeito Cesar Maia.

Por várias vezes o alcaide carioca foi alertado pessoalmente sobre esta promíscua relação, que fazia que espetáculos montados com o mecenato municipal migrasse, depois de curtas temporadas em palcos públicos, para palcos privados, sem que a prefeitura fosse ressarcida de um único centavo. Nem espaço para divulgar o turismo do Rio, com a projeção de comerciais de vídeos da cidade nas excursões nacionais destas peças, houve. Isto seria uma contrapartida mínima.

Produções milionárias foram montadas na rede pública municipal e todo o acervo da produção passava, depois, para as mãos dos seus produtores, muitas vezes acumulando o cargo de diretores dos próprios teatros. A prefeitura não virou sócia destes empreendimentos, que bancou até o ultimo botão. Por outro lado, a rede pública foi omissa ao permitir que palcos tradicionais, como o Café Teatro Arena e o antigo Opinião, fossem fechados. Este virou juizado de pequenas causas e o governo municipal cruzou os braços.

Um outro efeito nefasto foi os das bilheterias a R$ 7,50, criando uma concorrência desleal com os espaços privados. O preço mínimo de R$ 15, transformado na metade pelos descontos para a terceira idade, estudantes, professores e servidores municipais, tiveram um impacto na saúde das produções cariocas, que fugiam da orgia com as verbas públicas.

O que ocorre hoje é resultado da falta de uma gestão que priorizasse a sustentabilidade da rede municipal do Rio. Uma rede que teria tudo para procurar uma rota de auto-suficiência na cobertura dos seus custos. Depois dos mandos e desmandos na rede municipal, no qual as responsabilidades dos Mais, Macieiras e Falabellas não podem ser riscadas do mapa, o que assistimos é o colapso de um sistema que morre de inanição por estar a prefeitura muito mais falida do que se esperava.

A sucata deixada pela administração anterior atingiu em cheio áreas importantes como a saúde e também a cultura. O prefeito Eduardo Paes herdou dezenas de bombas relógios. Algumas delas estão sendo habilmente desarmadas. O que a secretária municipal de Cultura Jandira Feghali herdou foi uma caixa de Pandora, que aberta está prejudicando a população com a falta de uma programação decente e, lamentavelmente, um corpo técnico da rede municipal que sempre se desdobrou para que a máquina funcionasse e agora é penalizado com a falta de salário.

O Rio tem sido, há décadas, a capital cultural do país. Só que a prefeitura esquece que o teatro é um dos baluartes do turismo cultural. Cada vez que um turista assiste um espetáculo, ele pernoita na cidade, gerando receita na hotelaria, no comércio e nos restaurantes.
A rede municipal nunca poderia estar neste estado de penúria. Deveria ser um equipamento vivo e democrático da cidade, permitindo o acesso de produções escolhidas pelos seus méritos e não apenas para fazer a fortuna pessoal dos seus produtores, que durante anos mamaram nas tetas da municipalidade sem lhe dar nada em troca. Se o TCM (Tribunal de Contas dos Município) tivesse ficado alerta para o que ocorreu neste campo minado, boa parte dos problemas teriam sido evitados e parte do mecenato a fundo perdido já teria sido devolvido aos cofres públicos, permitindo o pagamento dos salários que agora estão vergonhosamente atrasados.

Cláudio Magnavita é presidente da AVER editora e diretor do Jornal de Teatro