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Postado por Guilherme Gomes   
Seg, 04 de Janeiro de 2010 13:13

Baseado em voto popular, o Prêmio Teatro de Dança encerra sua primeira edição

Por Ive Andrade, redação de São Paulo

Beleza ou técnica? O que caracteriza um espetáculo de dança contemporânea como o melhor do ano? Aos críticos, talvez, sejam mais nítidas as nuances técnicas e desenvolvimento de conceito, mas para o público, muitas vezes o importante é que o espetáculo emocione, independentemente de ideias mirabolantes. Pelo menos essa é a opinião de Ed Wilson, assistente de direção da Raça Companhia de Dança de São Paulo e vencedor da primeira edição do Prêmio Teatro de Dança com o espetáculo “Tango Sob Dois Olhares”, da coreógrafa Roseli Rodrigues.
“`Tango Sob Dois Olhares’ é a visão da Roseli sobre o tango antigo e a dança contemporânea em conjunto. Acredito que o público nos escolheu porque o espetáculo emociona. É diferente de uma coreografia feita através de muita pesquisa. O público quer ver gente se mexendo, não precisa ser nada muito conceitual”, afirma Wilson.
Cássia Navas, consultora do Teatro de Dança, acredita que o ganhador da primeira edição do prêmio venceu por sua proximidade com o público. “A Raça Companhia de Dança foi o primeiro colocado porque dança bastante e faz dança de qualidade, inserindo uma comunicação direta com o público, fala de temas próximos a maioria das pessoas”.

Artista e público
Promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Teatro de Dança, sob gestão da APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte) e com apoio do Sesc São Paulo, a premiação selecionou 12 finalistas, que concorreram a um prêmio de R$ 30 mil. O critério de seleção era o voto popular, com a intenção de estabelecer um estreitamento na comunicação entre artista e público. “A questão do voto popular é muito importante porque é algo que nunca foi tentado antes”, acredita a consultora.
O espectador recebia a cédula de votação antes de assistir o espetáculo, dando uma nota de zero a nove para classificar a qualidade do que assistiu e a companhia com a maior média geral vencia. “Os primeiros 12 colocados tiveram resultados muito próximos, o que mostra a alta qualidade dos espetáculos. Sabemos que alguns não têm recepção muito fácil. Mas o que posso dizer é que todos os primeiros colocados têm um cuidado com a finalização, não só da dança, mas tudo que envolve: iluminação, cenário, música... Apresentam um profissionalismo de alto nível”, explica Navas. 
Em todo o Estado de São Paulo, 137 espetáculos das 168 companhias participantes foram assistidos por quase 20 mil pessoas durante o ano. A partir disso, 17.839 votos apurados em 32 cidades de toda região paulista, que elegeram “Tango Sob dois Olhares” o melhor espetáculo de dança contemporânea paulista do ano, espetáculo com a maior média de notas. “A projeção dada pelo prêmio é muito importante. Por ser uma votação de voto popular é ainda melhor, prova como a companhia é popular, pois um dos nossos objetivos é justamente esse: formar e trazer público para a dança”, celebra Wilson. 
Assim como a Raça Companhia de Dança, a formação de público é um aspecto importante da premiação. “O próprio Teatro de Dança tem por meta a formação de plateia de todas as danças, do clássico ao experimental. E nem sempre tem público para tudo, tem muita produção que as pessoas não acompanham”, explica Navas. “O prêmio deu a chance de saber melhor de onde vem esse público, que é muito amplo. Claro que isso é uma questão de educação, mas hoje temos um cadastro de dez mil pessoas que sabemos que já assistiram a pelo menos um espetáculo de dança, e isso é ótimo. A premiação deu espaço para outras coisas”.

Credibilidade popular
“Quando decidimos montar o prêmio, a expectativa, para ser sincera, era quase nenhuma. Claro que alguns espetáculos têm um apelo popular maior. A Raça Companhia de Dança estar entre os primeiros colocados, por exemplo, não foi surpresa”, revela Navas, que também falou sobre a credibilidade do Prêmio Teatro de Dança. “Os próprios artistas reconheceram o ‘Tango Sob Dois Olhares’ como vencedor, porque o voto veio do público. Não houve contestação, o que geralmente acontece quando é uma premiação entregue por críticos de dança. Isso deu credibilidade ao prêmio”.
O balanço da primeira edição é positivo e a intenção para a próxima, já marcada para março de 2010, é começar desde o princípio a divulgar e informar o público sobre o objetivo do prêmio, incentivando a participação. A articulação entre gestores dos teatros, artistas e público, amplamente desenvolvida este ano, continuará com mais força.
“Na segunda edição, investiremos mais em informação. Instigação para o público é nosso principal objetivo agora”, conclui Navas. “Apesar de todo o trabalho, a primeira edição deu certo e agora vamos aprimorar o Prêmio Teatro de Dança”.