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FTB: Produção teatral brasileira para os brasileiros Imprimir E-mail
Destaques
Postado por Guilherme Gomes   
Seg, 04 de Janeiro de 2010 13:10


Característica nômade do festival permite conhecer produto cultural de cada Estado. Evento registrou 17 obras e 20 mil espectadores

Por Adair de Oliveira, redação de Brasília

Clown, drama, comédia, stand up comedy… Estas foram apenas algumas das linguagens vistas na nona edição do FTB (Festival de Teatro Brasileiro). O público presente no Ceará, de 22 de setembro a 11 de outubro; e Maranhão, de 28 de setembro a 12 de outubro, conheceu um pouco da cena teatral produzida na Bahia. O FTB – Cena Baiana Etapas Ceará e Maranhão – contemplou 17 espetáculos e possibilitou a realização de oficinas e debates.
Segundo o criador do festival, Sérgio Bacelar, a mais recente edição do festival foi vista por mais de 20 mil pessoas – desse número, 3,5 mil vieram dos colégios das cidades de Fortaleza e quatro mil de São Luís. Bacelar conta que o FTB teve início em 1997, em Brasília, quando começou a trazer produções baianas para a capital.
“As produções tiveram boa aceitação por parte do público e da mídia. Então, me aprofundei mais e mais a respeito do teatro baiano e vi que ele me possibilitava montar uma mostra. Em 1999, me inscrevi em um edital do Conjunto Cultural da Caixa, meu projeto foi aprovado e montei a primeira edição da Mostra de Teatro da Bahia”, conta. Após intervalo de dois anos, a mostra retornou com o nome de Festival do Teatro Brasileiro, mantendo o foco no teatro baiano.
O festival tem como um dos objetivos divulgar a produção teatral brasileira para os brasileiros. Por isso, o FTB possui essa característica nômade. “A ideia de se fazer um festival ‘nômade’ surgiu em 2007, na Etapa-Mineira, no Rio de Janeiro. A cada etapa, um estado tem a chance de conhecer o produto cultural de outro. Cada um acaba sendo objeto de cada cena”, relata.
A escolha do destino para se fazer o festival depende, primeiramente, da necessidade e estímulo dos Estados. Bacelar explica que, quando se refere aos Estados, quer dizer à classe artística, aos gestores e também aos patrocinadores. Outro aspecto considerado é o impacto que o painel proposto pelas obras causará na cidade onde será apresentado, bem como as ligações e desdobramentos que serão estabelecidas.

Evolução
Nas primeiras edições, eram apresentados apenas quatro espetáculos. Esse número aumentou para oito a partir da realização do FTB – Cena Pernambucana no Distrito Federal. Na mesma edição
criaram-se as oficinas de qualificação profissional. Mas foi no FTB – Cena Mineira, realizado no DF, que houve a descentralização das apresentações. Os espetáculos foram mostrados nas regiões administrativas de Ceilândia, Taguatinga, feiras e praças.
A realização do FTB – Cena Baiana, em Pernambuco (PE), teve como foco a formação de plateia. Então, iniciou-se um conjunto de ações que eram trabalhadas com esses alunos sobre a apreciação dos espetáculos e os diferentes segmentos das artes que se agregam para resultar em uma apresentação, entre outras atividades.
A produção do festival conseguiu registrar alguns números que refletem essa trajetória desde a criação do Festival do Teatro Brasileiro. Os 61 espetáculos – baianos, pernambucanos e mineiros – foram vistos em 222 apresentações por um público superior a 69.000 espectadores. Listou-se também como resultado de ações de acessibilidade mais de 11 mil pessoas que assistiram as exibições de rua e mais 57 mil que compareceram ao teatro.
O FTB computou que cerca de 400 pessoas freqüentaram as apresentações nos teatros, com preços simbólicos de R$ 5 a meia-entrada,
R$ 10 a inteira e às vezes gratuitamente. Crianças e jovens da rede pública somam mais de 15 mil. As ações de inclusão social registraram 292 jovens que participaram das oficinas de construção de instrumentos e introdução de ritmos da cultura musical popular. Além da entrega de mais 300 quilos de alimentos aos projetos sociais do Governo Federal.
Até 2008, o festival possuía uma edição anual. Em 2009, foram realizados quatro eventos. Para 2010 estão marcados dois: o FTB – Cena Cearense em Minas Gerais (MG) e no Espírito Santo (ES), nos meses de março e abril. A 10ª edição do festival conta com o patrocínio da Petrobras Distribuidora. Cada etapa do evento tem um orçamento médio de R$ 450 mil. Desde a primeira edição, o FTB gerou 1.110 empregos temporários.

Oficinas
Outra intenção do festival é contribuir para a qualificação de profissionais das diferentes etapas da cadeia produtiva das artes cênicas, além de propor atividades de introdução às artes para jovens em situação de vulnerabilidade. As 12 oficinas realizadas na nona edição foram dividas em quatro para o Ceará e oito no Maranhão. As atividades de qualificação profissional tiveram uma participação de 530 pessoas entre alunos de teatro, atores, diretores e músicos
“Elas possibilitam uma compreensão maior do que está sendo mostrado. Nas nove edições, as pesquisas realizadas pelo FTB mostraram que as linhas de produção de cada Estado diferem entre si. Então, ele tem muitas trocas a serem feitas. Sérgio relembra da oficina realizada na mostra FTB – Cena Mineira no DF. A coordenação do projeto e o Cine Horto Galpão desenvolveram uma oficina de 120 horas de duração seguindo os modelos da Oficina do Galpão em uma forma de imersão, 12 horas por dia, para três grupos de teatro de Brasília.
A seleção dos grupos e espetáculos começa antes mesmo das inscrições ou convites. Curadores e produtores do festival realizam uma pesquisa prévia, in loco, do local a receber o evento. A pré-produção permite que se conheça melhor o público daquela localidade, seus gostos, além das potencialidades e deficiências do contexto onde estão inseridos. A partir destas informações, a curadoria compõe, a cada etapa, um painel representativo de montagens diversificadas, resultantes da investigação de linguagem, comédia, drama, infantil, infanto-juvenil, da cultura popular e de clássicos da dramaturgia.