Ballet da Vida

Ballet da Vida

Por Carla Costa


Apresentações de dança moderna, de salão, popular e balé clássico encheram o calendário cultural da cidade de Camaçari (BA). Para a população local, o Festival Ballace Bahia é a oportunidade de ver de perto a beleza de coreografias cuidadosamente desenhadas para emocionar, e que tem como pano de fundo a história de vida dos integrantes das seletivas que nomeiam os três indicados para as vagas da Escola de Ballet Bolshoi para 2009.
Este ano, 1200 bailarinos de todo o País se inscreveram na disputa, realizada entre 11 e 14 de junho, pelo terceiro ano consecutivo, na cidade baiana. Em meio a coreografias e passos precisos, eles mostravam a excelência do trabalho desenvolvido em classes sem muita estrutura, mas que nunca representaram empecilho para quem tem vontade de vencer. Afinal, estudar no Bolshoi do Brasil pode ser a oportunidade de mudar para melhor todo o percurso de vida.
Na plateia, os sonhos dos participantes eram multiplicados pelos dos pais e familiares. Eles acompanharam, ansiosos, cada apresentação. Este ano, o evento – que teve apresentações paralelas incluídas ao festival, devido à grande demanda de público – registrou público recorde de 3.500 expectadores no Teatro Cidade do Saber.
As audições foram acompanhadas pela coordenadora, Sylvana Albuquerque, e pela coordenadora artística do Bolshoi no Brasil, Maria Antonieta Spadari. A meta era selecionar os dois melhores dançarinos do Festival Ballace e mais uma criança que estude no complexo artístico, Cidade do Saber, para integrar o corpo do Bolshoi no Brasil.
Para Sylvana Albuquerque, todos os participantes foram vencedores, pois muitas vezes eles não têm espaço adequado para ensaiar, nem condições financeiras para investir até mesmo nos próprios vestuários. “A importância desse trabalho já fala por si só, pois tudo o que fomenta a cultura e a dança deve ser considerado primordial para o desenvolvimento de qualquer ser humano”, afirma. Segundo ela, os bailarinos baianos mostram que sabem o valor da arte e se destacam em flexibilidade, bravura e vontade de vencer. “Temos muito prazer em assisti-los”, conclui.
Apesar do nervosismo e ansiedade dos participantes, eles não negaram a felicidade em poder participar de um evento tão importante e que lhes abre portas. Além de, também, terem oportunidade de fazer um intercâmbio de experiências com profissionais e praticantes da dança de outros cantos do País.
Quando é chegada a hora de conhecer os dois escolhidos pelos coordenadores, a Bahia – sede do festival – é nomeada, pelo segundo ano consecutivo, a grande vencedora (fica com as duas vagas do Bolshoi). As bailarinas Lara Pithon e Anelice Souza ganharam bolsas integrais, mas, para fazer o curso, terão que mudar radicalmente o estilo de vida. Isso significa, inclusive, morar em outro estado, pois a instituição se localiza em Santa Catarina, na cidade de Joinville.
O curso, que tem duração de oito anos, oferece aulas teóricas, técnicas de dança, curso de inglês, aulas de literatura, de piano e de pilates. Ao término desse período, os bailarinos sempre voltam ao Bolshoi para novos aperfeiçoamentos.

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História do Festival mostra que a participação popular é o maior responsável pelo seu crescimento

Esta foi a quarta edição do Ballace, realizado na Bahia desde o ano de 2006. A primeira sede do festival foi Salvador. No entanto, depois da inauguração da Cidade do Saber, instituição pública que oferece aulas de dança para a comunidade carente da região, surgiu a viabilidade da transferência para um município da Região Metropolitana.
A Cidade do Saber não oferece apenas espaço físico para a realização do festival. Dela saem, também, os dançarinos que, anualmente, emocionam e brigam com garra por uma vaga na seletiva. Este ano, 300 alunos da Cidade do Saber concorreram a apenas uma vaga.
No entanto, de acordo com a coordenadora da seletiva na Bahia, Sylvana Albuquerque, após as audições, quatro estudantes foram selecionados. As crianças escolhidas – Débora Leal Santos de Carvalho, Elisa Bonfim Menezes, Pámela dos Santos Silva e Yasmin Ribas Ferreira – participarão da seletiva, nos dias 17 e 18 de outubro, em Joinville.
Elas disputarão as 40 vagas com bailarinos de todo o mundo. No entanto, segundo as coordenadoras do festival realizado na Bahia, o número pode ser alterado pelo desempenho dos concorrentes e das performances. “Eles já são vencedores. Desejo aos selecionados muita garra e determinação. E que consigam vencer mais essa etapa, mas que, principalmente, não se frustrem se não conseguirem passar. Existem vários caminhos e o Bolshoi é apenas um deles”, finalizou Sylvana.
Em 2008, o Ballace trouxe o diretor Pavel Kasarian, da Escola do Teatro Bolshoi , para selecionar alunos da comunidade, oferecendo-lhes duas bolsas de estudo completas. A expectativa inicial dos representantes do Bolshoi era a de selecionar crianças para a etapa nacional. No entanto, eles foram surpreendidos pela aptidão dos participantes e decidiram, de forma inédita, aumentar o número de vagas para aquele ano.
Assim, oito alunos foram classificados e concorreram com mais 500 candidatos de todo Brasil. Finalmente, quatro crianças foram contempladas com as bolsas de estudo. Números que tem crescido com a realização de cada uma das novas edições. Para se ter uma ideia, de 2008 para 2009, o número de inscritos cresceu de 1000 para 1500, firmando o Ballace no calendário artístico nacional.
Junto com os números, o festival chama a atenção de nomes de peso da dança, que se envolvem com o projeto. Assim, bailarinos brasileiros de destaque que participam de companhias e eventos consagrados nacional e internacionalmente, além de estudantes e praticantes da dança do Brasil, têm se reunido no palco e plateia do TCS. Isso contribui para inserir o Complexo de arte-educação camaçariense como parte importante do cenário da dança mundial.

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